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quarta-feira, junho 3, 2026

Agro brasileiro entra no radar de nova ofensiva tarifária dos EUA, mas impacto direto segue restrito

O agronegócio brasileiro passou a ser alvo de medidas propostas pelos Estados Unidos no âmbito de uma investigação comercial, mas especialistas do setor avaliam que o efeito direto sobre o mercado ainda é contido. A administração norte-americana sugeriu a aplicação de tarifa de 25% sobre parte das importações, no procedimento previsto pela seção 301 da legislação dos EUA, ao mesmo tempo em que o complexo internacional de riscos — como petróleo em alta e tensão no Oriente Médio — pressiona custos e incertezas.

O que foi proposto: autoridades dos EUA anunciaram a intenção de impor uma sobretaxa de 25% a determinados produtos estrangeiros, com exceções relevantes mencionadas pela imprensa internacional. Entre as isenções estariam carne bovina, café, metais, energia e alguns itens agrícolas, em tentativa de reduzir impacto sobre preços ao consumidor americano.

Por que preocupa: o setor está atento não apenas à possibilidade de perda direta de mercado, mas principalmente aos efeitos indiretos. Ameaças à estabilidade cambial, aumento do custo de frete, fertilizantes, defensivos, energia e seguros podem elevar os custos de produção mesmo quando uma tarifa não incide sobre um produto específico.

O que o Brasil exporta aos EUA: Estados Unidos são destino de volumes relevantes de produtos brasileiros, entre eles café, carnes, produtos florestais, suco de laranja, açúcar, frutas, pescados e insumos agrícolas. Alterações tarifárias, ainda que parciais, têm potencial de repercutir em contratos, margens e decisões de embarque.

Desempenho recente: o agronegócio brasileiro registrou exportações de US$ 38,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária — o maior valor histórico para o período. Em abril, o setor também bateu recorde mensal, com US$ 16,6 bilhões embarcados. Os destaques foram os complexos de soja, proteínas animais, produtos florestais e café.

Vulnerabilidades específicas: a soja brasileira tem como principal cliente a China, mas sofre influência das disputas entre Washington e Pequim; eventuais recomposições de acordos agrícolas entre EUA e China podem deslocar demanda temporariamente para produtores norte-americanos. Na carne bovina, restrições de oferta nos EUA reduzem a probabilidade de medidas severas contra o produto brasileiro, embora riscos sanitários e políticos persistam — a arroba fechou em R$ 352,30 em 2 de junho, com alta de 0,60% no dia, segundo indicador Cepea/Esalq. No café, a colheita pode pressionar preços de curto prazo, mas tarifas ou problemas logísticos afetam contratos e margens.

Custos de energia: o petróleo Brent próximo de US$ 100 por barril eleva despesas com transporte, frete marítimo, diesel e fertilizantes nitrogenados, aumentando o custo operacional do campo — um fator relevante para um setor já afetado por juros, câmbio e custo de capital.

Em resumo, o Brasil não enfrenta, por ora, um embargo amplo ao agronegócio, mas convive com um cenário de maior dificuldade para precificar produção e contratos, exigindo acompanhamento constante de decisões em Washington, reações de parceiros como a China, variação do dólar e custos dos insumos.

Fonte: Regionalzao

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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