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domingo, junho 21, 2026

O destino da comida que sobra: projetos reduzem desperdício, fome, poluição e prejuízos no campo

O descarte massivo de alimentos provoca impactos econômicos, sociais e ambientais, e iniciativas no Brasil buscam transformar esse excedente em alimento, adubo e oportunidades produtivas. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas por ano no mundo.

No Brasil, o desperdício ocorre desde a produção agrícola até o varejo. Falhas de planejamento e manejo na lavoura podem levar à perda de safras; no comércio, produtos fora do padrão estético costumam ser descartados mesmo estando próprios para consumo. Para enfrentar esses problemas, há projetos de doação, técnicas de manejo para aumentar a durabilidade das colheitas e sistemas de compostagem para reaproveitar resíduos orgânicos.

Doação e bancos de alimentos

Com quase 7 milhões de pessoas passando fome e 18,9 milhões de famílias em situação de insegurança alimentar no país, conforme o IBGE, bancos de alimentos atuam na redistribuição de excedentes da produção e sobras do varejo a populações vulneráveis. Em 2023, o governo federal investiu R$ 25 milhões na modernização desses bancos, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

Patrícia Chaves Gentil, diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável do ministério, explica que bancos de alimentos podem ser criados pela iniciativa privada, por organizações civis ou por governos estaduais, enquanto o governo federal regulamenta seu funcionamento. Essas estruturas também podem apoiar programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e cozinhas solidárias.

Organizações como o Pacto Contra a Fome destacam que apenas 1% das pessoas em insegurança alimentar recebem alimentos redistribuídos, segundo dados citados pelo movimento. Em visita a dois bancos de alimentos, o g1 acompanhou o trabalho do Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA), que opera dentro da Ceasa de Campinas, e do Sesc Mesa Brasil, maior banco de alimentos privado da América Latina. Ambos fazem triagem dos produtos antes da redistribuição e mantêm parcerias com comerciantes; o ISA é mantido por permissionários da Ceasa, e o Sesc coleta também em supermercados e lavouras.

Melhor manejo e reaproveitamento na cadeia produtiva

Produtores adotam práticas para reduzir perdas. Na Alfacitrus, o produtor Emílio Cesar Favero aplica colheita manual monitorada para retirar frutas no ponto certo, usa caixas plásticas para reduzir contaminação e, na indústria, separa frutas por destino: as aptas para venda in natura recebem higienização e cera; as que não têm padrão de tamanho vão para suco; e as estragadas seguem para compostagem. A triagem combina inspeção humana e tecnologia: o sistema fotografa cada fruta cerca de 30 vezes para definir seu destino. Favero aponta pragas, doenças e eventos climáticos — como geadas e secas — como as principais causas de perda.

Compostagem e redução de emissões

A decomposição de alimentos descartados em aterros contribui com emissões de gases de efeito estufa e com a produção de chorume. Estimativas do Pnuma indicam que resíduos alimentares em aterros representam entre 8% e 10% das emissões globais desse tipo. A compostagem surge como alternativa: a Usina Verde de Campinas recebe alimentos estragados da Ceasa local e processa material orgânico em fertilizante usado em hortas urbanas, canteiros e parques, reduzindo a necessidade de depósitos a céu aberto.

Em 2025, foi lançada a Estratégia Intersetorial para Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos, instituída por resolução da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan). A iniciativa, em fase de formulação, tem parceria com instituições científicas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Esta reportagem integra o sexto episódio da série “PF: Prato do Futuro”, em que o g1 mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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