Um levantamento aponta que, embora a maior parte das empresas já tenha adotado algum tipo de inteligência artificial, apenas uma pequena parcela consegue obter benefícios relevantes a partir dessas iniciativas. O dado sobre adoção faz parte de estudo citado pela Winsome Marketing com base em pesquisa da McKinsey: 88% das companhias utilizam IA de alguma forma, mas só 6% extraem valor significativo.
Ao mesmo tempo, o CIO Playbook 2026, elaborado pela IDC em parceria com a Lenovo, indica que 97% das organizações pretendem aumentar gastos com inteligência artificial ao longo deste ano, o que evidencia a prioridade estratégica atribuída à tecnologia.
Quem e por que a tecnologia ainda não gera resultados
O economista Matheus Mundim — mestre em Administração com foco em Marketing e Vendas e fundador e gerente PE&G da V4 Mundim & Co — afirma que a discussão deixou de ser sobre a adoção da IA e passou a ser sobre sua aplicação correta. Segundo ele, erros comuns, como a expectativa de que a ferramenta resolva problemas sem processos, contexto e operadores capacitados, tornam a tecnologia apenas um custo ou, em alguns casos, causam prejuízos.
Mundim cita ainda o crescimento dos chamados High-Impact Individual Contributors (HICs): profissionais que, com suporte de IA, atingem resultados que antes dependiam de equipes inteiras.
Aplicações com retorno mais rápido
Na visão do especialista, o atendimento inicial ao cliente é hoje a área com maior potencial de ganhos imediatos. A IA pode responder de forma instantânea, qualificar o contato e fornecer informações suficientes para encaminhar o interessado ao time comercial já preparado para avançar na negociação.
Levantamento da NextPhone, com base em estudos do setor de atendimento digital, aponta que em 2025 cerca de 65% das consultas de suporte ao cliente foram resolvidas sem intervenção humana, o que explica por que muitas empresas estão obtendo ganhos mais rápidos nessa etapa da jornada do consumidor.
Caso prático: telecomunicações
A TConnect, do setor de telecomunicações, adotou o Sistema de Solução no Primeiro Contato da V4 Company para atender 24 horas, coletar dados e qualificar leads antes de encaminhá-los ao comercial. André Girardini, gerente da empresa, afirma que “a venda praticamente chega pronta. Hoje temos um vendedor online 24 horas por dia”.
Com a solução, a qualidade dos leads aumentou e o ciclo comercial ganhou velocidade: a taxa de conversão, que era inferior a 20%, passou a superar 40%. “Com o mesmo investimento, estamos fazendo mais que o dobro de vendas. O lead chega muito mais qualificado e isso trouxe velocidade para o time comercial”, disse Girardini.
Limites da automação
Mesmo com a expansão da automação, pesquisas do setor indicam que 85% dos consumidores afirmam que, em algum momento, seus problemas exigem a intervenção de uma pessoa. Mundim ressalta que a inteligência artificial potencializa resultados, mas não substitui estratégia, relacionamento e decisões humanas, que continuam responsáveis por direção, construção de confiança e validação de ações.
Fonte: Revistasoberana


