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domingo, junho 21, 2026

Economia azul no Espírito Santo converte conservação em renda para pequenos negócios durante temporada de baleias

O marinheiro e empresário Ruan Nolasco Cardoso, dono da empresa Capitão Grilo criada em 2017, resume a nova dinâmica: a partir da trajetória familiar — avô pescador e pai com 35 anos embarcado — ele estruturou passeios náuticos na Grande Vitória e roteiros como a Rota dos Botos, visitas a manguezais e circuitos pela Baía de Vitória e pelo litoral sul do estado. Ruan também buscou capacitação nas áreas de guia de turismo, monitor de áreas naturais e condutor local para profissionalizar as operações.

A chegada anual das jubartes, que migram da Antártida para se reproduzir entre junho e outubro, movimenta uma cadeia econômica ampla: artesãos, marinheiros, guias, hotéis, restaurantes, agências de receptivo e pesquisadores. Em 2025, o Festival da Baleia em Vitória rendeu cerca de R$ 250 mil para artesãos e comerciantes locais.

Números e impacto econômico

Dados do Projeto Amigos da Jubarte apontam que, em 2025, foram realizados 17 embarques turísticos com 265 visitantes embarcados. As ações resultaram em 132 avistamentos de baleias, 26 avistamentos de golfinhos e 354 cetáceos registrados. Em capacitações, 514 pessoas se inscreveram e 327 receberam certificação. As iniciativas de divulgação alcançaram cerca de 150 mil pessoas.

Artesã de Vila Velha, Erani de Oliveira Castro, dona do Estúdio Ira, conta que as vendas de produtos inspirados nas baleias aumentam em média 90% durante a temporada. Itens como cangas e lenços têm alta procura de visitantes que desejam levar lembranças da experiência.

Pesquisa, qualificação e normas

Especialistas destacam que a consolidação do turismo de observação se apoia em pesquisa científica e em capacitação. Desde 2020, o Jubarte.Lab, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), utiliza drones, hidrofones e outros métodos para monitorar baleias e golfinhos na costa capixaba, elevando a presença do estado entre as referências nacionais em estudos de cetáceos.

Projetos como Amigos da Jubarte e Instituto Baleia Jubarte promovem formação técnica para agências, guias, tripulantes e profissionais da rede hoteleira em parceria com o Sebrae. Os treinamentos abordam biologia, ecologia, legislação ambiental, técnicas de aproximação e conceitos de turismo receptivo e regenerativo, com saídas embarcadas para vivenciar o conteúdo.

As atividades são reguladas: agências devem estar cadastradas no Cadastur e os barcos precisam manter distância mínima de 100 metros das baleias (200 metros se houver filhote), limitar observação a 30 minutos por animal, não perseguir os animais e, se a baleia se aproximar demais, manter o motor ligado e desengrenado.

Instituições e atores locais

Para o coordenador do Projeto Amigos da Jubarte, Thiago Ferrari, as jubartes simbolizam a transformação da exploração em conservação geradora de empregos. O oceanógrafo Paulo Pinheiro Rodrigues, do Instituto Baleia Jubarte, afirma que o turismo de observação é uma das iniciativas mais bem-sucedidas de conversão da conservação em desenvolvimento econômico e espera que cerca de 2 mil turistas embarquem em 2026.

Representantes do Sebrae, do Sesc Espírito Santo e autoridades municipais e estaduais ressaltam que a atividade ajuda a reduzir a sazonalidade do turismo e amplia a visibilidade do estado como destino de natureza. Hotéis e hostels, como o Artsy Vitória Hostel, relatam aumento na ocupação e integração de hóspedes às expedições.

Guias que acompanham as saídas descrevem forte impacto emocional dos visitantes ao verem as baleias e enfatizam o caráter educativo das viagens, que muitas vezes contam com pesquisadores a bordo para assegurar respeito às normas e segurança dos passageiros.

Para moradores e empreendedores que dependem do mar, como Ruan, as jubartes representam a possibilidade de viver do oceano sem degradá-lo, convertendo conservação em oportunidade econômica sustentável.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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