O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (10) que “ama a inflação” após a divulgação de dados que mostram aumento dos preços ao consumidor em ritmo mais acelerado em três anos. O Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS) informou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 4,2% em maio na comparação anual, ante alta de 3,8% em abril.
Ao comentar os números na Casa Branca, Trump declarou: “Eu amo isso. Os números foram ótimos. Sabe o que eu realmente amo? Eu amo a inflação”. O presidente disse ainda que espera queda acentuada da inflação quando o conflito com o Irã terminar, e afirmou que as operações dos Estados Unidos teriam retirado “milhões de barris” de petróleo do Irã, o que, segundo ele, ajudou a provocar pequena queda nos preços.
Mais tarde no mesmo dia, os militares dos EUA realizaram ataques contra o Irã, segundo comunicados oficiais. O presidente também disse a jornalistas que, quando o conflito acabar, o preço do petróleo voltará aos níveis anteriores.
Os dados do BLS mostraram que a elevação dos preços foi impulsionada sobretudo pelos combustíveis: as contas de energia, incluindo gás e eletricidade, estavam quase 25% mais altas em maio do que um ano antes, com a gasolina respondendo por grande parte desse aumento. A associação automobilística AAA apontou que o preço médio do galão de gasolina comum nos EUA estava em US$ 4,15 (equivalente a R$ 4,73 por litro), acima dos US$ 2,98 registrados em 28 de fevereiro — data em que Trump iniciou ataques contra o Irã.
O fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás mundial, restringiu a oferta e pressionou os preços. Economistas alertaram que, mesmo com resolução rápida do conflito, pode levar até 2027 para restabelecer o fluxo normal de mercadorias pela região.
Além dos combustíveis, o BLS identificou aumento nos custos de passagens aéreas, cuidados pessoais e médicos, lazer e comunicação. A meta de inflação de longo prazo do Federal Reserve é de 2%.
A alta persistente da inflação representa um desafio para o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, antes da primeira decisão sobre taxas de juros à frente do banco central. Analistas estimam que as taxas devem permanecer entre 3,5% e 3,75% no próximo mês, mas afirmam que sinais de inflação contínua podem levar o Fed a subir os juros. Stephen Brown, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, disse que a alta de maio “não é grande o suficiente para fornecer munição” a defensores de aumento de juros; já Isaac Stell, gestor de investimentos da Wealth Club, considerou que a elevação das taxas é “a conclusão mais lógica” com base nos dados recentes e nos números robustos de emprego divulgados na semana anterior.
No plano político, o comentário de Trump foi criticado pela oposição. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, escreveu na rede X: “O desprezo dele por vocês não tem limites.” Trump afirmou posteriormente ao New York Post que suas palavras foram tiradas de contexto e que queria dizer que a inflação está “muito mais baixa do que o previsto”, apesar da guerra no Irã.
O quadro de inflação dos últimos meses marca o terceiro mês consecutivo de alta do CPI e coloca a questão econômica entre as prioridades dos eleitores às vésperas das eleições legislativas de novembro.
Fonte: G1


