O mercado do feijão no Brasil mudou de fase após prejuízos climáticos no Paraná e a retenção de lotes em Minas Gerais e Goiás, fatores que reduziram a liquidez e aumentaram a seletividade por qualidade na comercialização, afetando as referências de preço em diferentes regiões produtoras.
Depois de um período de alta em maio, o setor passa por um ajuste com a entrada da segunda safra e comportamento cauteloso dos compradores. Aqueles que adquirem grãos têm adotado postura defensiva, aguardando novas acomodacões antes de elevar as compras, o que tem dificultado a formação de cotações firmes.
Impacto das condições climáticas no Paraná
No Paraná, um dos maiores estados produtores, as condições climáticas adversas têm sido determinantes para a sustentação do mercado. Chuvas persistentes interromperam a colheita da segunda safra e episódios de geada, combinados ao excesso de umidade, deterioraram a qualidade dos grãos.
As estimativas apontam para perdas que atingem cerca de 38% do potencial produtivo inicialmente esperado na safra paranaense. Além disso, aproximadamente 31% das áreas cultivadas permanecem sem colheita, elevando a incerteza sobre a efetiva oferta que chegará ao mercado nas próximas semanas.
Retenção de oferta em Minas Gerais e Goiás
Enquanto os efeitos climáticos pressionam o Paraná, produtores em Minas Gerais e Goiás ganham papel relevante na formação dos preços nacionais. Em especial, produtores irrigados da terceira safra têm optado por uma comercialização mais gradual, estratégia que tem contribuído para sustentar os preços dos lotes de melhor qualidade.
A retenção da oferta tem protegido as cotações de uma queda mais acentuada, sobretudo para os lotes classificados como extra, que têm mostrado resistência à desvalorização. Essa postura de venda parcial é uma tática para preservar margens diante de um cenário generalizado de incerteza.
Situação do feijão preto e perspectivas do mercado
O segmento do feijão preto registrou uma das semanas mais difíceis de 2026, com baixa liquidez e poucas negociações efetivas. Em consequência, os preços recuaram para patamares inferiores a R$ 220 por saca, evidenciando a dificuldade em estabelecer um piso consistente para as cotações.
As condições climáticas continuam sendo um ponto de atenção, já que chuvas excessivas e geadas trazem dúvidas sobre a qualidade da produção restante. Mesmo com as perdas, o consumo enfraquecido limita um impacto positivo mais forte sobre os preços, mantendo o mercado em um quadro de volatilidade e incerteza.
Fonte: Uberlandianofoco


