O mercado de milho no Brasil sofre pressão de baixa nas cotações motivada pela expectativa de uma safra recorde e pelo avanço da colheita da safrinha. A maior oferta no plano nacional, somada a estoques crescentes no exterior, tem mantido os valores do cereal em trajetória descendente, impactando produtores e compradores.
Instituições como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam para elevação na produção brasileira, o que, junto à colheita em curso, tem levado agentes do setor a adotar posturas mais conservadoras. Compradores têm feito aquisições apenas para reposição imediata, enquanto vendedores flexibilizam expectativas para conseguir escoar a produção.
Oferta global e revisões de safra pressionam cotações
A revisão das estimativas para a safra 2025/26 contribui para a pressão baixista. Além da recuperação da safra de verão no Brasil, projeções de aumento de produção em países como Índia e Argentina elevam a percepção de oferta abundante no mercado mundial. No caso argentino, as estimativas apontam para uma produção entre 64 e 68 milhões de toneladas.
Condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos e prognósticos positivos para a Argentina reforçam a perspectiva de estoques globais elevados, reduzindo as chances de uma recuperação de preços no curto prazo.
Nas operações domésticas, a comercialização segue lenta. A diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e as ofertas dos compradores tem travado negociações. No escoamento para portos, as cotações oscilam entre R$ 63 e R$ 68 por saca. No interior, as variações são acentuadas: em Cascavel (PR) os preços ficam entre R$ 57 e R$ 60 por saca, enquanto em Rondonópolis (MT) os valores caem para a faixa de R$ 47 a R$ 51 por saca.
Na B3, apesar de uma leve recuperação observada em contratos futuros, a tendência predominante é de redução de preço. O contrato de julho encerrou a semana cotado a R$ 64,06, acumulando perda de 3,16%. A valorização da produção argentina e o comportamento do mercado internacional seguem limitando eventuais repiques mais expressivos nas cotações.
Especialistas orientam cautela a produtores e cooperativas diante do cenário de maior oferta, recomendando vendas graduais aproveitando recuperações técnicas, para evitar concentração de comercialização. Para consumidores, o atual patamar de preços pode ser uma oportunidade para ampliar coberturas e reduzir riscos de suprimento.
Com a entrada na segunda metade do ano, o mercado continua sob influência de fundamentos que apontam para oferta global elevada e condições climáticas favoráveis, o que deve manter a pressão sobre os preços e exigir planejamento comercial ao longo da cadeia produtiva.
Fonte: Uberlandianofoco


