O diretor criativo de movimento brasileiro Jorge Dorsinville vem conquistando espaço no mercado global da moda ao unir dança e expressão corporal em produções fotográficas e campanhas. Com 15 anos de atuação em Nova York, ele tem levado ao cenário internacional uma abordagem que transforma o corpo em elemento narrativo das imagens, participando de parcerias relevantes, como a colaboração entre Stella McCartney e a H&M.
Entre seus trabalhos recentes, Jorge dirigiu a movimentação nas fotografias da exposição “Futbol 2026”, com imagens assinadas por Annie Leibovitz. Segundo o diretor, a proposta do ensaio valorizou a força dos atletas e converteu o gesto físico em uma linguagem estética que foge ao registro puramente esportivo; ele afirmou que a equipe apresentou os jogadores por uma perspectiva inédita, ressaltando a importância da dança em sua concepção artística.
Formação e trajetória
Natural de Salvador, Jorge formou-se na Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia e enfrentou obstáculos desde cedo para seguir a carreira na dança. Ao longo da trajetória, trabalhou com nomes da música brasileira, como Daniela Mercury e Elba Ramalho, experiências que contribuíram para sua transição ao universo da moda e da direção de movimento.
Jorge identificou no mercado uma demanda por uma função específica: o diretor criativo de movimento. Na prática, essa função vai além de orientar poses; envolve construir uma narrativa visual que articula figurino, cenografia e expressão corporal. Ele explica que seu trabalho requer captar a essência de cada artista e traduzi-la em movimentos coerentes com a proposta estética de cada produção.
O método desenvolvido por Dorsinville, batizado de “body telling”, propõe contar histórias por meio do corpo, com cada gesto funcionando como um elemento que compõe a narrativa. Ele compara o processo a uma receita, em que os movimentos são ingredientes ajustados conforme as contingências do set para gerar composições únicas e dinâmicas.
Além das atividades em moda e fotografia, Jorge planeja publicar um livro sobre suas experiências profissionais e pretende oferecer cursos voltados à formação de novos diretores de movimento, buscando reconhecimento e estruturação para uma profissão ainda pouco formalizada.
Fonte: Uberlandianofoco


