O curta-metragem A Revolta das Lixeiras, criado por crianças e adolescentes de Uberlândia, foi selecionado para a programação da 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. A exibição está marcada para o dia 27 de junho, na Mostra Educação, seção do festival dedicada a projetos pedagógicos que usam o audiovisual como instrumento de transformação social.
Produção estudantil aborda descarte irregular com humor e animação
Com aproximadamente cinco minutos, o filme utiliza animação e referências a desenhos animados para tratar do descarte inadequado de resíduos. Na narrativa, lixeiras ganham vida e se revoltam contra maus-tratos e uso incorreto pela população, convidando o público a refletir sobre responsabilidade coletiva, preservação ambiental e cidadania de forma leve e acessível.
O estudante Mateus Wátila Silva Borges, de 12 anos, participou das etapas de atuação e também do trabalho técnico. Ele afirmou que a experiência no projeto foi especial e que a seleção para a CineOP representa uma oportunidade importante para os jovens envolvidos.
Projeto oferece formação prática em cinema
O curta foi produzido por participantes do Trakinagem Cinema e Educação, iniciativa realizada pela produtora O Sopro do Tempo e patrocinada pelo Instituto Algar por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. As oficinas do projeto contemplam etapas variadas da produção audiovisual, incluindo desenvolvimento de roteiro, atuação, direção, captação de imagem, edição e finalização.
Cristiano Barbosa, idealizador e instrutor do Trakinagem, avaliou que a presença do trabalho na programação da CineOP evidencia a qualidade do material produzido pelos estudantes e reforça a necessidade de democratização do acesso ao cinema. Carolina Toffoli Rodrigues, gerente do Instituto Algar, destacou que a seleção demonstra o potencial de iniciativas culturais voltadas à formação de jovens e ao fortalecimento da cidadania.
Formação amplia diversidade no cinema brasileiro
Especialistas ouvidos pelo projeto ressaltam que ações de formação audiovisual fora dos grandes centros são fundamentais para ampliar olhares e narrativas no cinema nacional. Para o educador, roteirista e diretor Jader Monteiro, permitir que crianças e jovens contem suas próprias histórias contribui para preservar memórias, fortalecer identidades e aumentar a diversidade de representações no país. Ele afirma ainda que a renovação do setor depende da inclusão de novos olhares, e que produções locais têm potencial para sensibilizar audiências em diferentes contextos pela autenticidade das histórias.
A seleção do curta de Uberlândia para a CineOP insere o trabalho dos estudantes em um circuito nacional de debate sobre educação, memória e formação de público, consolidando a relação entre educação, cultura e cinema na formação de novas gerações de realizadores.
Fonte: Paranaibamais


