Os pontos de bloqueio em estradas da Bolívia caíram de 50 para 28 neste domingo, 21 de junho, após a adoção de um estado de exceção. A redução ocorre no contexto de protestos que já se estendem por sete semanas contra o governo do presidente Rodrigo Paz, que enfrenta uma forte crise econômica.
Com menos interdições, caminhões com combustíveis voltaram a chegar à cidade de La Paz, que vinha sofrendo com falta de produtos. A administradora estatal de rodovias informou que os locais de bloqueio ainda estão concentrados nos departamentos de La Paz, Oruro e Cochabamba.
Impactos da crise econômica e protestos
Autoridades e analistas locais qualificam a crise econômica como a mais grave em quatro décadas. A comercialização de gasolina de baixa qualidade, que teria danificado milhares de veículos, contribuiu para o descontentamento social e para a mobilização de agricultores, povos indígenas e trabalhadores de mineração.
Embora o governo e a Central Obrera Boliviana (COB) tenham firmado um acordo para suspender parte das paralisações, atos seguem sendo registrados, sobretudo entre apoiadores do ex-presidente Evo Morales. A organização Túpac Katari, que representa setores campesinos e indígenas, mantém a pressão sobre as autoridades.
Forças de segurança, compostas por policiais e militares, estão em operação para restabelecer a ordem e assegurar a circulação de mercadorias. A limpeza das vias entre La Paz e Oruro é apontada como prioridade, já que essa rota é essencial para o ingresso de combustíveis provenientes do Chile.
O presidente Rodrigo Paz, que obteve apoio de governos conservadores e dos Estados Unidos, afirma que Evo Morales estaria por trás das manifestações e que receberia financiamento do narcotráfico, acusações feitas sem apresentação de provas concretas. A situação política permanece tensa, com registros que mencionam a possibilidade de detenção de Morales, atualmente refugiado na região do Chapare.
Especialistas e autoridades alertam que os desdobramentos na Bolívia podem repercutir no Brasil, especialmente no comércio e na segurança regional. A instabilidade política e econômica no país vizinho tem potencial para afetar as relações comerciais e a dinâmica de segurança nas áreas de fronteira, exigindo atenção das autoridades brasileiras.
Fonte: Uberlandianofoco


