Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte, longa de Jane Schoenbrun lançado em streaming em 2026, tem sido descrito por crítico do Paranaíba Mais como uma obra que foge ao rótulo de terror tradicional. A narrativa parte da tentativa da jovem diretora Kris (Hannah Einbinder) de convencer a reclusa atriz Billy Presley (Gillian Anderson), estrela do filme original da franquia slasher, a participar de um remake ou de uma releitura da obra.
Segundo o texto assinado por Vinícius Lemos, repórter da TV Paranaíba, o filme revela sua natureza nas sequências finais, quando a compreensão mais profunda da protagonista transforma a percepção da história: em vez de priorizar sustos imediatos, a produção se aproxima de um drama psicológico e sentimental.
A crítica destaca a direção visual de Schoenbrun como um dos pontos fortes. O desenho de produção foi elogiado, com atenção a espaços como uma casa afastada e a utilização de cenários pintados ou digitais — conhecidos como matte paintings. A fotografia remete aos terrores dos anos 1980, mas com imagem mais limpa do que o habitual, criando uma dissonância que mantém o espectador atento.
No que se refere às cenas de violência, o crítico observa a opção estilística por efeitos menos práticos, apontando que isso pode dividir o público. Ainda assim, há menção a um plano-sequência que reproduz, de forma absurda, uma chacina inspirada no filme fictício referenciado pela produção.
Entre os aspectos apontados como problemáticos está a representação do ambiente no fundo do lago, considerada exagerada e pouco prática em termos de produção. A trilha sonora, por outro lado, é descrita como atmosférica e discreta.
Lemos também nota que o segundo ato do filme por vezes estaciona em diálogos que não avançam a trama, acumulando mistério. Contudo, quando a distinção entre realidade e ficção se dissolve, o crítico afirma que o longa se posiciona como uma das produções recentes mais interessantes sobre sexualidade, sem amarras e atuando de maneira alegórica. A corrida final e uma fala sobre a fome do assassino serial Pequena Morte são destacadas como encerramento contundente da obra.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba.
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais
Fonte: Paranaíba Mais


