Acordo entra em vigor provisório a partir de 1º de maio
O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul passa a vigorar de forma provisória em 1º de maio. A Comissão Europeia decidiu aplicar o tratado temporariamente enquanto o Parlamento Europeu ainda pode contestar o texto no Tribunal de Justiça da UE, um processo que pode levar até dois anos.
O tratado, que levou 25 anos de negociações e é apontado como o maior da história da UE em termos de redução de tarifas, foi motivo de controvérsia entre países europeus.
Quem apoia: Países como Alemanha e Espanha afirmam que o acordo deve auxiliar exportadores europeus e ajudar a mitigar o impacto de tarifas impostas pelos Estados Unidos. Defensores também sustentam que o pacto reduzirá a dependência da China por minerais essenciais.
Quem critica: França e outros opositores argumentam que o acordo favorecerá a entrada de carne bovina e açúcar mais baratos, prejudicando agricultores nacionais. Ambientalistas afirmam que o tratado pode acelerar o desmatamento de florestas tropicais.
Economistas consultados alertam que os ganhos econômicos serão modestos e provavelmente não compensarão totalmente a perda de comércio com os EUA. A Comissão Europeia estimou que o acordo com o Mercosul pode acrescentar 0,05% ao PIB da UE em 2040, enquanto o pacto com a Índia poderia aumentar o PIB em 0,1% no mesmo horizonte, segundo o Instituto Kiel para a Economia Global. Esses efeitos, porém, só seriam plenamente capturados dentro de pelo menos uma década.
Desde a reeleição do presidente Donald Trump, a UE acelerou a conclusão de acordos comerciais com Índia, Indonésia, Austrália e México, numa tentativa de fortalecer o livre comércio diante de tarifas norte-americanas e restrições chinesas a exportações de minerais.
O bloco europeu estima que as tarifas dos EUA já reduziram as exportações para aquele país em cerca de 15% ou mais e que o impacto no PIB pode atingir aproximadamente 0,3% apenas neste ano.
Especialistas também apontam que a China já ampliou sua presença em mercados-alvo da UE. A China registrou um superávit comercial recorde de quase US$ 1,2 trilhão em 2025, e pesquisas indicam que tarifas dos EUA redirecionaram cerca de US$ 150 bilhões das exportações chinesas, com países da Asean absorvendo mais de US$ 70 bilhões desses fluxos adicionais.
Analistas ressaltam ainda que cerca de 60% das exportações da UE são entre países do próprio bloco, o que significa que ganhos com maior eficiência e competitividade do mercado interno poderiam compensar parte das perdas externas.
Esta reportagem está em atualização.


