A bancada ruralista intensificou sua presença em Brasília para acelerar projetos considerados prioritários diante do avanço do endividamento no campo, aumento da inadimplência rural e pressão sobre o crédito agrícola. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) obteve avanço em várias proposições enquanto tramitam discussões sobre o próximo Plano Safra.
A articulação política envolvendo o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, fez parte da mobilização conhecida como “Dia do Agro”. Dos 19 temas previstos para a iniciativa, 13 tinham ligação direta com pautas da bancada ruralista, segundo registram os trabalhos no Congresso.
Entre os pontos defendidos pelo setor produtivo estão a renegociação de dívidas rurais, ampliação do crédito agrícola, fortalecimento do seguro rural e estímulos à indústria nacional de fertilizantes. A pauta inclui também propostas para flexibilizar exigências ambientais vinculadas a financiamentos, proteger cultivares e avançar em medidas relacionadas à garantia da propriedade privada e à segurança jurídica no campo.
Medidas aceleradas e preocupação com o crédito
Nos últimos dias, a Câmara destravou requerimentos de urgência que permitiram acelerar projetos sobre seguro rural, incentivos à indústria de fertilizantes, gestão de risco do crédito rural, alterações na Lei de Proteção de Cultivares e propostas envolvendo cooperativas e fundos regionais de desenvolvimento.
No centro das preocupações está a capacidade de acesso ao crédito por produtores endividados. Em entrevista, o deputado Pedro Lupion afirmou: “não adianta ter o Plano Safra mais mirabolante da década se o produtor endividado não conseguir acessar o crédito no banco. Precisamos resolver isso, renegociar essas dívidas. Estamos chegando a um ponto sem volta.”
Parlamentares ligados ao setor alertam que o quadro financeiro já tem reflexos em cooperativas, revendas, comércio regional e municípios dependentes do agronegócio, com destaque para regiões como o Triângulo Mineiro. Motivos citados incluem juros elevados, aumento dos custos de produção, eventos climáticos adversos e oscilações do mercado internacional.
A convocação de uma sessão extraordinária do Congresso Nacional nesta quinta-feira, oficialmente para analisar vetos relacionados à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, também serviu como ambiente para negociar recursos e espaço fiscal necessários a políticas do agronegócio. A equalização de juros, o seguro agrícola e financiamentos subsidiados dependem de disponibilidade orçamentária federal, fator apontado como essencial para viabilizar um Plano Safra robusto em 2026.
Como parte das matérias não foi concluída, a expectativa é de que a pauta ruralista retorne ao plenário na próxima terça-feira, com temas como ampliação do seguro rural, alterações nas regras ambientais vinculadas ao crédito, incentivos à produção de fertilizantes, criação de mecanismos nacionais de gestão de risco agrícola e projetos sobre segurança jurídica e propriedade rural. Também permanecem em análise propostas relacionadas a invasões de terra, licenciamento ambiental, competência de órgãos reguladores e limites para fiscalização no campo.
O movimento demonstra que o agronegócio deixou o papel meramente defensivo e passou a influenciar decisões econômicas relevantes, cujo desfecho pode afetar o volume de crédito disponível, investimentos, geração de empregos e a dinâmica econômica de municípios fortemente ligados ao setor nas próximas semanas.
Fonte: Regionalzao


