A economia brasileira deve enfrentar pressões em 2026 que podem repercutir no agronegócio, segundo avaliação do Rabobank. O banco aponta volatilidade nos mercados internacionais e incertezas domésticas ligadas ao processo eleitoral como fatores que colocarão a atividade econômica sob tensão ao longo do ano.
De acordo com o relatório, o real tende a se desvalorizar frente ao dólar, com expectativa de que a moeda americana alcance aproximadamente R$ 5,35 até o fim do ano. Essa apreciação da moeda norte-americana tem potencial de elevar custos de produção e afetar a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros no exterior.
Indicadores e efeitos sobre a produção
O documento destaca a queda do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC‑Br) de 0,67% em março, sinalizando desaceleração da economia. Apesar de o primeiro trimestre ter mostrado um crescimento de 1,3%, o Rabobank observa perda de dinamismo em setores como serviços, indústria e agropecuária.
Essa desaceleração pode reduzir a demanda por insumos e produtos agrícolas, impactando decisões de produção e comercialização no campo. Produtores rurais são orientados a monitorar as oscilações cambiais e os custos de financiamento diante desse quadro.
O relatório também ressalta que a arrecadação federal permanece robusta, impulsionada pelo setor de petróleo e gás, o que pode atenuar pressões fiscais em um ano eleitoral. Por outro lado, o aumento do preço internacional do petróleo, relacionado a tensões geopolíticas, pode pressionar a inflação e elevar custos logísticos, com implicações para o agronegócio.
Medidas fiscais e ambiente político
O governo tem ampliado programas de estímulo no período pré-eleitoral, citando iniciativas como o “Move Brasil Táxi e Aplicativos” e a nova versão do programa Desenrola. Essas medidas podem sustentar o consumo de forma temporária, mas também levantam dúvidas sobre o equilíbrio das contas públicas.
O Rabobank aponta ainda que o quadro político, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrado em liderança nas pesquisas, pode influenciar a decisão de investimentos no setor agropecuário. A incerteza sobre políticas econômicas futuras tende a deixar investidores mais cautelosos.
Para o setor rural, o relatório conclui que a valorização do dólar pode favorecer exportações, enquanto juros elevados e a desaceleração econômica representam risco para o consumo interno e para os investimentos durante 2026.
Fonte: Uberlandianofoco


