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segunda-feira, setembro 14, 2026

AirBaltic entra com pedido de recuperação judicial nos EUA diante da crise aérea provocada pela guerra com o Irã

Riga, 14 de setembro de 2026 — A airBaltic entrou voluntariamente com pedido de proteção contra falência sob o Capítulo 11 do Código de Falências dos Estados Unidos, em Nova York, conforme informou a companhia nesta segunda-feira. A medida visa reestruturar as dívidas e garantir continuidade das operações diante da crise que atinge o setor aéreo, intensificada pelo impacto da guerra entre os Estados Unidos e o Irã.

A empresa declarou ter assegurado um compromisso de financiamento de € 350 milhões (US$ 405 milhões) junto a instituições financeiras, entre elas Strategic Value Partners, Barclays, Hayfin Capital Management, Morgan Stanley e Oaktree Capital Management. O montante terá custo aproximado de juros de 12% e depende da aprovação do tribunal americano, segundo o CEO Erno Hilden.

Hilden informou que, nos próximos meses, a airBaltic manterá diálogo com todas as partes interessadas para definir termos sustentáveis para a reestruturação e que a expectativa é alcançar uma melhoria de € 44 milhões no resultado anual. A companhia afirmou que os voos continuarão operando normalmente durante o processo e estima concluir a reorganização até junho de 2027.

Segundo documento apresentado ao tribunal, a airBaltic acumula cerca de US$ 583 milhões em dívidas e compromissos relacionados a financiamento e leasing de aeronaves. A empresa também tem obrigação de pagamento de € 106 milhões referentes a impostos sobre folha de pagamento e demais taxas ligadas à aviação. A receita registrada em 2025 foi de aproximadamente € 779 milhões.

A frota da companhia é formada por cerca de 50 aeronaves Airbus A220-300. O Estado da Letônia detém a maioria do capital, enquanto a alemã Lufthansa possui participação minoritária de 10%.

Antes do pedido judicial, detentores de títulos da airBaltic deveriam votar um plano para captar até € 257 milhões por meio de nova dívida com vencimento em fevereiro de 2027 e taxa de juros de 25%. O primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs, disse que o processo na Justiça foi iniciado após investidores que detêm mais de 70% da dívida terem optado pela liquidação. Kulbergs afirmou que a solução via Capítulo 11 oferece as ferramentas e o tempo necessários para viabilizar a reestruturação e que o governo segue em busca de um investidor estratégico enquanto a empresa reduz frota e reorganiza as obrigações.

A empresa enfrenta dificuldades agravadas pela elevação dos preços do combustível de aviação, que duplicaram após o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, cenário que levou a considerada pior crise do setor de viagens aéreas desde a pandemia de Covid-19. Analistas consultados destacaram que a operação havia crescido além do mercado disponível e que o aumento dos custos de combustível acelerou a necessidade de reequilíbrio.

Hilden, que já liderou o processo de recuperação da SAS nos Estados Unidos entre 2022 e 2024, afirmou que o Capítulo 11 oferece proteção para organizar as finanças. Especialistas citados no documento consideraram que a estrutura proposta é mais sustentável do que alternativas discutidas na semana anterior.

A airBaltic foi apontada como a segunda companhia a colapsar em meio aos efeitos da guerra com o Irã, depois da Spirit Airlines, que encerrou operações em maio; a Spirit havia pedido falência no fim de fevereiro e não obteve apoio dos credores. Outras empresas do setor, como a AirAsia, também buscam novas injeções de capital.

O primeiro-ministro Kulbergs acrescentou que até abril a companhia havia utilizado € 380 milhões obtidos por meio de títulos emitidos em 2024 e que um empréstimo emergencial de € 30 milhões concedido pelo governo foi totalmente consumido em junho. Kulbergs ressaltou ainda que, para manter as rotas entre os países bálticos e a Letônia, seriam necessárias cerca de 30 aeronaves, e não a meta anterior de 100.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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