Aline Midlej, estilista e voz atuante nos universos da moda e do ativismo social, afirma que o cuidado com meninas deve ser encarado como uma responsabilidade compartilhada pela sociedade. Segundo Midlej, em um país onde a menstruação permanece cercada de tabus, essa etapa da vida feminina precisa ser compreendida e valorizada não apenas como um processo biológico, mas como uma experiência que influencia a autoestima e a relação das jovens com o próprio corpo.
Para a estilista, os estigmas associados à menstruação afetam a maneira como as meninas se veem e se posicionam socialmente. Midlej ressalta que essas vivências podem interferir na forma como jovens enfrentam desafios e situações de violência, em um contexto alarmante em que mais de 80 mil crianças foram vítimas de abuso em 2025. Esses dados, segundo ela, exigem uma reflexão sobre o papel da moda e da cultura na promoção de mudanças práticas e simbólicas.
Tendências que transformam
Midlej aponta que as tendências atuais do setor de moda têm se aproximado de pautas sociais e de empoderamento. Marcas e grifes vêm fechando parcerias com iniciativas voltadas à saúde menstrual e à educação sobre o corpo feminino. Essa articulação, conforme destacado pela estilista, ajuda a desconstruir mitos em torno da menstruação e contribui para a construção de autoestima entre adolescentes e meninas.
A moda inclusiva e sustentável também tem ganhado espaço, refletindo maior demanda por responsabilidade social no desenvolvimento de coleções. Estilistas, incluindo Midlej, têm buscado criar peças que vão além da função de vestir: elas narram histórias e abrem espaço para diálogo sobre temas relevantes. Essa abordagem altera a relação das pessoas com as roupas e, por consequência, com suas identidades.
No cotidiano, a estilista enfatiza a importância de meninas e mulheres se sentirem livres para expressar suas individualidades por meio do vestuário. Escolher roupas que reflitam vivências e valores pessoais pode servir como ferramenta de afirmação e fortalecer a autoestima. Segundo Midlej, essa forma de expressão pode atuar como elemento de resistência e empoderamento.
O trabalho de Aline Midlej, conforme sua própria apresentação pública, extrapola as passarelas: ao tratar de menstruação e saúde feminina, ela busca inspirar novas gerações a se cuidar e a reivindicar seus direitos. Nesse sentido, o cuidado com meninas é entendido como investimento no futuro do país, com a moda atuando como uma ferramenta potencial dessa transformação.
Fonte: Uberlandianofoco


