Alliança Saúde protocola plano para reestruturar R$ 1,1 bilhão em passivos
A Alliança Saúde informou, nesta quarta-feira (5), que apresentou à Justiça pedido de homologação do seu plano de recuperação extrajudicial com o objetivo de renegociar cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas. O pedido foi encaminhado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e integra a reestruturação financeira iniciada após mudança no controle da companhia.
Segundo a empresa, o plano já conta com a adesão de mais de 83 credores — entre instituições financeiras, fornecedores, prestadores de serviços e proprietários de imóveis e equipamentos — que, em conjunto, representam aproximadamente 54% das dívidas abrangidas pelo acordo. Esse percentual atende ao quórum previsto na legislação para que a proposta seja levada à homologação judicial. A Alliança informou que as negociações com outros credores seguem em andamento, com expectativa de novas adesões antes e depois da decisão judicial.
Como alternativa financeira, há a proposta de pagamento de 30% do débito em 11 parcelas anuais, após um ano de carência, com perdão dos 70% restantes. Para credores com valores menores, o plano prevê pagamento único de até R$ 15 mil em até 180 dias após a eventual homologação.
O texto homologado pela empresa também estabelece condições específicas para fornecedores tidos como estratégicos e para proprietários de imóveis locados pela Alliança, com formas de pagamento diferenciadas para preservar relações comerciais.
A companhia afirmou que a conversão parcial das dívidas em ações e o alongamento dos prazos visam reduzir o endividamento, melhorar a situação financeira e possibilitar a captação de novos recursos para reforçar o caixa e reorganizar a estrutura de capital. A Alliança destacou que a medida tem caráter exclusivamente financeiro e não altera obrigações com pacientes, colaboradores, operadoras de planos de saúde, seguradoras e cooperativas médicas.
O pedido de homologação foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e ainda será submetido à ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária. Considerando o fechamento desta quarta-feira (5), as ações da Alliança (ticker AALR3) estavam cotadas a R$ 3,15, e os papéis acumulam queda de cerca de 37% desde o início do ano.
Na legislação vigente, a recuperação extrajudicial exige homologação judicial para garantir validade jurídica ao acordo entre empresa e credores, diferindo da recuperação judicial, que tramita com supervisão do Judiciário desde o começo do processo.
Recentemente, outra empresa do setor de saúde, a Oncoclínicas, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.
Fonte: G1


