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terça-feira, maio 19, 2026

Alta do petróleo atinge nível mais alto desde 2022 e amplia efeitos na economia global

Preços sobem após notícias sobre opções militares dos EUA contra o Irã; impacto vai além dos combustíveis

Os contratos do petróleo Brent chegaram a ultrapassar US$ 126 por barril, o maior patamar desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, segundo registros de mercado. A alta ocorreu em meio a reportagens de que o Comando Central dos Estados Unidos teria preparado alternativas para o presidente Donald Trump em relação ao Irã, o que elevou temores sobre oferta e segurança na região.

De acordo com o site Axios, o Comando Central dos EUA teria elaborado planos para ataques “curtos e poderosos” com o objetivo de alterar o impasse nas negociações com Teerã. A BBC procurou o Pentágono e a Casa Branca para comentar as informações. Após o pico acima de US$ 126, o Brent recuou para cerca de US$ 116 nas negociações na Europa.

Especialistas ouvidos ressaltam que o efeito da elevação dos preços do petróleo se espalha por diversas camadas da economia. Naveen Das, analista sênior de petróleo da plataforma Kpler, destaca que o aumento do preço do petróleo influencia não apenas combustíveis, mas também produtos derivados e variáveis que afetam o cotidiano das pessoas.

O avanço do preço do barril eleva os custos de gasolina e diesel no atacado, que tendem a ser rapidamente repassados aos consumidores nas bombas. Além disso, o petróleo é insumo para fertilizantes, plásticos, embalagens, produtos químicos e combustível de aviação, o que amplia o alcance da alta.

Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos da consultoria Wealth Club, observa que a interrupção de embarques de ureia e outros fertilizantes já está agravando custos para agricultores que não mantiveram estoques, com risco de repasse ao consumidor final e impacto nos preços de alimentos.

Com o aumento do custo do combustível, o transporte de mercadorias fica mais caro, elevando frete e pressionando preços no varejo. Esses efeitos setoriais tendem a se acumular, pressionando a inflação global: energia, produção industrial, logística e alimentação sofrem impacto simultâneo.

O economista André Perfeito, da consultoria APCE, afirma que o Brasil tem sentido fortemente essa pressão. Depois de um pico de inflação anual acima de 5% em meados de 2025, a taxa caiu gradualmente, mantendo-se em torno de 4,3% a 4,4% no início de 2026. O Banco Central projeta agora um fechamento de 4,86% para o ano, em função do conflito no Oriente Médio.

Medidas práticas já foram adotadas em alguns países: governos de Paquistão e Bangladesh determinaram o fechamento de escolas para economizar combustível. O Fundo Monetário Internacional alertou que uma escalada prolongada do conflito com o Irã pode desviar a economia global do caminho esperado e aumentar o risco de recessão, e recomendou cautela dos bancos centrais ao elevar juros.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à BBC que uma perda econômica temporária ao longo de semanas poderia ser tolerada se isso reduzisse o risco do Irã desenvolver armas nucleares, priorizando a segurança de longo prazo.

O avanço dos preços do petróleo, portanto, repercute em combustíveis, insumos industriais, transporte, custos alimentares e decisões de política econômica, com efeitos que podem se estender ao longo dos próximos meses.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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