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quinta-feira, outubro 29, 2026

Alta do preço da carne vira tema central e marcador cultural na disputa pelos Congressos dos EUA

Quem e o que: A alta no preço da carne bovina entrou no debate das eleições legislativas americanas de 3 de novembro, servindo tanto como crítica à inflação quanto como ferramenta cultural para questionar a proximidade de candidatos com valores rurais e com a indústria pecuária.

Quando e onde: A disputa ganhou força nas campanhas para as eleições de meio de mandato (midterms) realizadas em 3 de novembro, com episódios notáveis no Texas, Colorado e Mississippi.

Casos por estado

No Texas, o democrata James Talarico tem respondido a críticas sobre uma decisão de sua campanha, em 2022, de comprar apenas alimentos veganos, aparecendo em público comendo churrasco para demonstrar identificação com tradições locais. A imagem foi usada por adversários para questionar sua posição em relação à pecuária; Talarico discursou em comício em 13 de julho de 2026, segundo registros públicos.

No Colorado, o republicano Gabe Evans explorou o histórico do democrata Manny Rutinel — que, na época da faculdade, chegou a ser fotografado com uma faixa da organização Peta e fundou em 2021 a Climate Refarm, favorável à redução do consumo de carne — como ponto vulnerável num distrito com intensa presença agrícola e frigorífica. Rutinel também assinou cartas em defesa de aumento de impostos sobre carne e laticínios e apoiou, em 2024, a proposta para proibir um abatedouro de cordeiros em Denver, medida que foi rejeitada, segundo a Associated Press. Grupos conservadores divulgaram um vídeo de campanha alegando que Rutinel come carne “o mínimo possível”. Em resposta, Rutinel passou a aparecer publicamente consumindo tacos de carne e recebeu apoio do sindicato dos trabalhadores da indústria frigorífica.

Por que a carne está mais cara

Há um problema de oferta e demanda por trás do tema político. Em agosto, o preço médio da carne moída nos EUA alcançou o maior valor nominal desde o início da série histórica do Departamento de Estatísticas do Trabalho, em 1984: US$ 6,92 por libra. Em setembro, o preço recuou para US$ 6,79 por libra, ainda 7,4% acima do registrado um ano antes. (1 libra equivale a 454 gramas.)

A elevação reflete oferta reduzida após severas secas que levaram o rebanho bovino ao menor nível em 75 anos, o que limita a disponibilidade de carne e mantém pressão sobre os preços. A recomposição do rebanho leva anos, de modo que o desequilíbrio não é corrigido rapidamente.

Medidas do governo e reação do setor

Em agosto, o governo do presidente Donald Trump autorizou a suspensão temporária de tarifas para a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, direcionada a cortes magros usados na produção de carne moída, com a exigência de que esse produto seja vendido por valores 25% inferiores aos praticados no mercado. Reportagens, incluindo da NPR, indicaram impacto limitado para os consumidores: entre agosto e setembro, o preço da carne moída caiu apenas US$ 0,13 por libra.

Produtores afirmaram que a entrada de carne importada mais barata pressiona o preço do gado nacional em um momento de margens apertadas. A iniciativa também suscitou críticas dentro do próprio Partido Republicano; a candidata Ashley Hinson, que disputa uma vaga no Senado por Iowa, criticou a redução das tarifas e defendeu apoio aos pecuaristas para ampliar o rebanho.

O debate econômico envolvendo preços de alimentos — em particular carne bovina — acabou sendo incorporado pelas campanhas como arma política e indicador cultural, com candidatos tentando transformar a insatisfação dos eleitores em apoio ou apontando escolhas pessoais dos adversários como sinal de desconexão com comunidades produtoras.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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