Aluna do EJA celebra nota alta e compartilha avaliação com neto
Maria Edna Félix da Silva, 54 anos, recebeu nota 9 em uma prova de geografia aplicada no início de setembro e comemorou o resultado em um áudio enviado ao neto Kauã, de 15 anos. O registro viralizou nas redes sociais após a estudante se levantar da carteira para fotografar a avaliação e avisar aos colegas: “Tem que assistir o g1”.
Aluna do 2º ano do Ensino Médio na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Celestina Valente Lengenfelder, em Francisco Morato, na Grande São Paulo, Maria Edna retomou os estudos no ano passado e espera concluir o Ensino Médio em 2027. Seu objetivo é prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tentar vaga em um curso de Nutrição.
Para conciliar trabalho e estudo, ela cumpre jornada de 12 horas em uma empresa terceirizada na área de limpeza e, nos dias de folga, trabalha como diarista. A soma das rendas fica entre R$ 2,6 mil e R$ 3 mil por mês. Principal responsável pelo sustento da casa, ela mora com o marido e o filho; o marido teve de parar de trabalhar por problemas de saúde.
A rotina da estudante é exaustiva: acorda por volta das 3h, pega transporte às 4h30, sai do trabalho direto para a escola e só retorna para casa por volta da meia-noite. “Sabe quantas horas eu durmo por noite? Duas horas, três horas no máximo”, disse ela. O cansaço às vezes a faz cochilar em sala, e colegas como Afonso e Luiz a acordam e a incentivam a seguir.
Nascida em Garanhuns, Pernambuco, Maria Edna mudou-se para São Paulo aos cerca de sete anos. A mais velha de cinco irmãos, interrompeu os estudos na infância para ajudar a mãe e, ao longo da vida, deixou a escola em diferentes momentos por motivos familiares. Após criar filhos e apoiar uma filha que é mãe solo, voltou a estudar no ano passado com a determinação de concluir o ciclo.
Para se manter informada, ela usa o aplicativo do G1 no celular — não tem perfis nas redes sociais — e conta que disciplinas como Geografia e História são suas preferidas. Em parte, a boa pontuação na prova se deve ao reconhecimento de temas já vistos no noticiário: questões trataram de deslocamentos forçados por guerras, como o conflito no Irã que teria provocado a saída de cerca de 3 milhões de pessoas, além de migrações causadas por eventos climáticos extremos e desastres naturais, tema associado aos chamados refugiados climáticos.
O neto, que a incentiva frequentemente — “Vó, você não vai parar, vó, eu te ajudo” —, apelidou-a de “Google” ao ouvir a mensagem sobre a nota: “parabéns, hein, Google”. Maria Edna costuma enviar as fotos das provas ao neto no horário em que sabe que ele está voltando da escola, e recebe dele mensagens como “Cheguei, Google. Tá tudo bem”.
Fonte: G1


