Amazon anuncia tablets com Android e Alexa+
A Amazon divulgou nesta quinta-feira (8 de outubro de 2026) uma nova família de tablets que, pela primeira vez, passa a rodar o sistema operacional Android e inclui a assistente de voz Alexa+ como recurso central. A linha, apresentada pela empresa sediada em Seattle, reúne três modelos: Amazon Alexa Tablet 12 Pro, Amazon Alexa Tablet 11 e Amazon Alexa Tablet 8.
Os aparelhos foram desenvolvidos sob o codinome Kittyhawk, projeto que já havia sido revelado pela Reuters no ano anterior, mostrando a intenção da Amazon de migrar do Fire OS — sistema próprio que, embora baseado em Android, era customizado pela empresa. A mudança busca diminuir as limitações apontadas por consumidores e desenvolvedores quanto à loja e ao ecossistema do Fire OS.
Segundo a Amazon, os novos tablets têm estrutura de alumínio em substituição ao acabamento plástico dos modelos Fire anteriores. A linha será vendida em diferentes configurações, com preços iniciais entre US$ 230 (R$ 1.155) e US$ 500 (R$ 2.510). A companhia afirmou que a versão mais avançada, com 128 gigabytes de armazenamento, chegará a custar US$ 550 (R$ 2.761), valor semelhante ao de um tablet Galaxy da Samsung e cerca de US$ 100 (R$ 502) acima do preço inicial de um iPad, que parte de US$ 450 (R$ 2.259).
Os valores representam um aumento em relação ao Fire HD 10, modelo mais sofisticado da geração anterior, que custava mais de US$ 180 (R$ 904), embora a Amazon frequentemente oferecesse descontos. A iniciativa integra a estratégia da divisão de dispositivos, comandada por Panos Panay, de posicionar a empresa em um segmento mais sofisticado e se afastar da política de vender aparelhos a preço de custo.
A Alexa+, nova versão da assistente, incorpora recursos de inteligência artificial generativa para realizar tarefas e responder perguntas. A Amazon informou que o uso da Alexa+ nos tablets exigirá assinatura Prime ou do próprio serviço da assistente. A empresa também ressaltou que o serviço é oferecido gratuitamente a assinantes Prime, mas que ainda não é lucrativo.
Quanto à publicidade, a maioria dos modelos exibirá anúncios na tela de bloqueio. A retirada dessa publicidade terá custo único de US$ 20 (R$ 100) — acima dos US$ 15 (R$ 75) cobrados anteriormente em tablets com Fire OS — enquanto o modelo topo de linha não mostrará anúncios.
A decisão de focar em produtos premium ocorre em meio à queda global nas vendas de tablets. Dados da IDC citados pela empresa apontam recuo de 12% nas vendas no segundo trimestre ante o mesmo período do ano anterior, para 33,6 milhões de unidades; nos Estados Unidos, a queda foi de 32%, afetada pela escassez de chips de memória. A participação de mercado da Amazon caiu para 1,9% no segundo trimestre, ante 8% um ano antes. A Apple lidera com 34% e a Samsung tem 17,5%.
A Amazon afirmou que os tablets com Fire OS continuarão funcionando, mas não detalhou se manterá o suporte ao sistema e à loja de aplicativos a longo prazo. A empresa já encerrou recentemente o suporte a modelos antigos do Kindle, citando custos de manutenção do software.


