Agência Nacional de Proteção de Dados ordena interrupção das “lives” na plataforma
O quê: A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que o Discord suspenda as transmissões ao vivo na plataforma no Brasil.
Quando: A decisão foi tomada na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, e estabeleceu prazo de três dias úteis para cumprimento da medida.
Por que: A suspensão preventiva foi determinada até que o Discord comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes, diante de críticas e investigações sobre falhas na moderação de conteúdo e nos mecanismos de verificação de idade.
Quem: A ANPD publicou a decisão após o aumento da pressão sobre a empresa, intensificada pela investigação da morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul, caso em que há suspeita de indução à automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos da plataforma. A Advocacia-Geral da União (AGU) também negociou com o Discord medidas para ampliar a segurança de menores.
Como funciona a plataforma: O Discord é uma plataforma de comunicação que permite mensagens de texto, voz e vídeo. Segundo a empresa, o acesso para adolescentes no Brasil é permitido a partir dos 13 anos. Criado em 2015 por Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy para facilitar a comunicação entre jogadores, o aplicativo oferece transmissões ao vivo em que usuários assistem, participam de partidas e interagem por comentários. A ferramenta é usada majoritariamente por jovens ligados a jogos on-line, mas também teve adesão para atividades de trabalho e ensino, especialmente a partir da pandemia.
Usuários e planos: Em 2025, o Discord informou ter 200 milhões de usuários mensais globalmente, dos quais 93% jogam on-line. A versão básica é gratuita; há planos pagos chamados “Nitro” que permitem, por exemplo, criar emojis personalizados e enviar arquivos maiores.
Casos e falhas apontadas: Além do caso da adolescente, reportagens apontaram uso da plataforma para chantagens relacionadas a imagens íntimas, disseminação de grupos como o movimento incel, atividades de hackers e discussões sobre criptomoedas. Investigações da Polícia Civil de São Paulo envolveram uma empresária suspeita de torturar e matar animais para vender vídeos na plataforma; ela chegou a ser presa e foi liberada horas depois. Especialistas, como Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, indicam que a combinação de público jovem, facilidade para criar comunidades privadas e moderação descentralizada favorece abusos.
Medidas de proteção existentes: Em setembro de 2023, o Discord lançou a “Central da Família” (Family Center), que permite que responsáveis acompanhem parte das atividades dos filhos adolescentes, como com quais usuários conversam e em quais comunidades participam, sem acesso ao teor das mensagens. A ativação exige que o responsável e o adolescente tenham o aplicativo, que o responsável acesse “Central da Família” em “Configurações do usuário”, e que o adolescente forneça um código QR gerado em sua conta para concluir a conexão.
A suspensão determinada pela ANPD permanecerá até que o Discord comprove a adoção de medidas consideradas eficazes para a proteção de menores.


