A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis que utilizam semaglutida como princípio ativo. As canetas foram autorizadas para uso em adultos com diabetes mellitus tipo 2 que não alcançam controle adequado com metformina e devem ser empregadas como complemento à dieta e à prática de exercícios físicos.
Quais produtos foram autorizados
Os cinco produtos registrados pela Anvisa são:
- Owozy, da Ávita Care;
- Seemasun, da Sun Farmacêutica;
- Zempneo, da Brainfarma;
- Semavy, da Cosmed;
- Orsema, da Ranbaxy.
Todas as apresentações aprovadas são soluções injetáveis para administração subcutânea, comercializadas com caneta aplicadora e agulhas. Os registros foram concedidos por comparação com o Ozempic, medicamento de referência para a classe.
Disponibilidade e comercialização
A autorização da Anvisa permite a comercialização das canetas, mas não garante disponibilidade imediata nas farmácias. As fabricantes ainda definirão datas de lançamento, estratégias de distribuição e preços, e a agência não informou cronogramas sobre quando cada produto começará a ser vendido no Brasil.
Impacto para pacientes
A expectativa principal das autoridades e do setor é o aumento da concorrência, o que pode ampliar gradualmente a oferta desses medicamentos no país. A procura por produtos à base de semaglutida cresceu nos últimos anos, resultando em episódios de escassez e preços elevados. Entretanto, a Anvisa alerta que não é possível afirmar que haverá queda imediata nos preços.
As novas aprovações ocorrem alguns meses após o registro do Ozivy, primeiro concorrente nacional autorizado após o fim da patente da semaglutida no Brasil.
O que é a semaglutida e a corrida por registros
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP‑1. A substância atua de modo semelhante a um hormônio intestinal, estimulando a produção de insulina, reduzindo a liberação de glucagon e aumentando a sensação de saciedade, efeitos que contribuem para o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2 e justificam seu uso no tratamento da obesidade.
Segundo a Anvisa, o número de pedidos de registro de medicamentos dessa classe aumentou após o desenvolvimento de versões sintéticas da semaglutida, em 2022, e com a expiração de patentes. Atualmente, 68% dos pedidos de registro de injetáveis para obesidade e diabetes protocolados na agência referem-se a produtos sintéticos.
Desde agosto de 2025, a Anvisa tem priorizado a análise de medicamentos com semaglutida e liraglutida, atendendo a solicitação do Ministério da Saúde para ampliar o abastecimento. A agência implantou um plano com 125 iniciativas para reduzir a fila de registros; dos 24 medicamentos incluídos no edital prioritário, 11 já tiveram a análise concluída, resultando em seis aprovações até o momento.
Regras de venda
As exigências para a comercialização permanecem em vigor: desde junho de 2025, farmácias devem reter a receita médica para venda de agonistas de GLP‑1, como Ozempic e Wegovy. A Anvisa também proibiu a prescrição de versões manipuladas desses medicamentos devido a riscos de segurança e eficácia.
Fonte: Paranaibamais


