Quem e o que: A Apple possui uma lista interna, não divulgada, com dezenas de milhares de palavras e expressões em vários idiomas que o teclado do iOS evita incluir nas sugestões automáticas e que em muitos casos não podem ser digitadas usando o recurso de deslizar o dedo sobre as teclas (digitação por gestos), afirmou o pesquisador Derik Kauffman.
Quando e como a descoberta foi feita: Kauffman disse ter encontrado a lista em setembro ao investigar falhas na digitação por gestos e divulgou a relação nesta sexta-feira (6 de novembro de 2026). Ele usou as ferramentas Codex, da OpenAI, e Claude Code, da Anthropic, para analisar o problema.
Conteúdo e alcance da lista: Segundo Kauffman, a maior parte dos termos sinalizados é vulgar, ofensiva ou está relacionada a drogas, sexo ou violência. No entanto, há também expressões com conotação política, como “dictator Trump” (“Trump ditador”) e “sleepy Joe” (“Joe sonolento”). Ele estima, de forma conservadora, cerca de 100 mil termos, sem contar caracteres chineses, e afirma que todos os principais idiomas apresentam versões desse filtro.
Exemplos e variação por idioma: Entre os exemplos citados estão “Right wing conspiracy” (“conspiração da direita”), “Tibetan independence” (“independência do Tibete”) e “United Ireland” (“Irlanda unificada”). Em hindi, o teclado teria bloqueado frases como “Modi braggart” e “Rahul is Pappu”; em francês, “immigration too high”; em hebraico, “occupied territories”. Kauffman apontou inconsistências, como permitir “read smut” (“ler pornografia”) mas não “read gay smut” (“ler pornografia gay”).
Verificação independente e testes da imprensa: A Reuters testou uma amostra das expressões identificadas por Kauffman e constatou que muitas eram realmente difíceis de inserir por gestos ou não apareciam nas sugestões automáticas, com substituições por palavras próximas (por exemplo, “United Ireland” sugerindo “United Iceland”). O engenheiro Matt Suiche, da Tolmo, recuperou a mesma lista de forma independente e disse ter encontrado resultados quase idênticos ao comparar com dados internos da Apple.
Resposta da Apple: Em e-mail, a empresa não detalhou o tamanho nem a composição da lista nem explicou os critérios usados para sinalizar expressões políticas. A Apple afirmou que usuários podem digitar palavras ou frases específicas e ignorar sugestões automáticas, e que o teclado foi configurado para evitar sugestões que possam ser consideradas inadequadas ou ofensivas.
Contexto e reações: Kauffman afirmou que o mecanismo pode influenciar discretamente a comunicação dos usuários. David Greene, consultor jurídico sênior da Electronic Frontier Foundation, disse que a lista é preocupante e defendeu maior transparência e possibilidade de personalização do recurso. A descoberta ocorreu após relatos anteriores de limitações no recurso de sugestões e de outra identificação recente, por um administrador de sistemas na Noruega, que encontrou termos como “al-Qaeda”, “Auschwitz” e “Hooters”.
Como terminou a apuração: Pesquisadores e veículos de imprensa verificaram parcialmente a existência e o efeito da lista, enquanto a Apple mantém explicações limitadas sobre os critérios e o alcance do mecanismo.
Fonte: G1


