A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, nesta sexta-feira (4), uma resolução que estimula o uso de projeções cartográficas capazes de representar com mais fidelidade o tamanho real de continentes e países. A proposta foi aprovada por 164 votos a favor, um contra e seis abstenções.
O texto chama atenção para as distorções associadas à projeção de Mercator e sugere alternativas, como a Equal Earth, cuja representação torna o território brasileiro visualmente mais compatível com sua área real. A resolução, porém, não tem força legal para obrigar a substituição da projeção tradicional nem proíbe que governos ou instituições continuem usando o mapa de Mercator, criado pelo cartógrafo Gerardus Mercator no século 16.
Por que há diferença na aparência do Brasil
A divergência entre projeções decorre do método de transferir a superfície curva da Terra para uma superfície plana. A projeção de Mercator foi desenvolvida para facilitar a navegação, preservando direções e rotas úteis para uso de bússolas. Entretanto, essa técnica amplia áreas situadas em latitudes mais altas, o que pode distorcer comparações visuais de tamanho entre países.
Como grande parte do Brasil está próxima à Linha do Equador, o país tende a aparecer menor em mapas baseados em Mercator do que em projeções equivalentes em área, como a Equal Earth. Em mapas que privilegiam a preservação das áreas, as dimensões relativas do Brasil ganham maior destaque.
Exemplos de distorção
Comparações conhecidas ajudam a ilustrar o efeito: na projeção de Mercator, o Alasca pode parecer semelhante ao Brasil, embora o território brasileiro seja significativamente maior. Em escala ainda maior, a Groenlândia chega a aparentar um tamanho próximo ao da África em Mercator, quando na verdade o continente africano tem cerca de 14 vezes a área da ilha dinamarquesa.
Sobre a Equal Earth e o debate
A Equal Earth, desenvolvida em 2018 por Tom Patterson, Bernhard Jenny e Bojan Šavrič, busca oferecer uma visão mundial com áreas mais proporcionais entre si. A projeção não elimina todas as deformações — algo matematicamente inevitável ao projetar a esfera terrestre em um plano —, mas prioriza a preservação das áreas, especialmente relevante para regiões equatoriais.
A campanha Correct the Map, com apoio da União Africana, defende que mudanças no uso de mapas em escolas, veículos de comunicação e plataformas digitais podem influenciar a percepção pública sobre o tamanho e a importância relativa de diferentes regiões.
Votação e posicionamentos
A iniciativa foi apresentada pelo Togo e recebeu o apoio da União Africana. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra, enquanto Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia se abstiveram. A representante norte-americana afirmou que a proposta fazia parte de uma agenda ideológica e desviava atenção de prioridades que considerava mais urgentes.
A resolução recomenda maior uso de projeções equivalentes em área quando a comparação de territórios for relevante, sem retirar a utilidade da projeção de Mercator para finalidades como a navegação. Na prática, a geografia do Brasil não muda — apenas sua representação visual em determinados mapas.


