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sexta-feira, março 6, 2026

Bad Bunny chega ao Brasil e evidencia a força — e os limites — da música latina no país

Bad Bunny realiza suas primeiras apresentações no Brasil nas noites de sexta-feira (20) e sábado (21), em São Paulo. Impulsionado pelo desempenho do álbum mais recente e pela participação no Super Bowl, o artista porto-riquenho ganhou espaço no consumo musical brasileiro, apesar de até então ter tido presença limitada no país.

Com 9,8 bilhões de reproduções, Bad Bunny foi, no ano passado, pela quarta vez, o artista mais ouvido no Spotify no mundo. Ele alcançou o topo pela primeira vez em 2020 e repetiu o feito em 2021 e 2022. Seu trabalho mais recente, o álbum DeBÍ TiRAR MáS FOTos, lidera as vendas globais neste ano, reforçando a projeção internacional da música de Porto Rico.

No entanto, no Brasil o cantor, o disco e as faixas lançadas por ele não constaram nas listas dos mais executados do ano, segundo dados do Spotify — plataforma com 713 milhões de usuários em 180 países. Antes de sua apresentação no Super Bowl, Bad Bunny apareceu apenas 11 vezes no ranking semanal de audiência do Spotify Brasil, em sua maioria ocupando posições acima da centésima colocação.

Por que só agora Bad Bunny tem maior repercussão no Brasil?

Carlos Jáuregui, professor de linguagem sonora e crítica musical do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto, relaciona a diferença de desempenho à configuração histórica da indústria musical brasileira. Segundo ele, o país tem uma indústria fonográfica sólida e um padrão de consumo predominantemente nacional: 75% do que é ouvido nas plataformas de streaming no Brasil corresponde a artistas brasileiros, segundo a Luminate, empresa de dados usada como base para as paradas da revista Billboard.

Jáuregui lembra que a formação da indústria no país ocorreu na primeira metade do século XX, em um contexto de construção de identidade nacional e políticas voltadas ao mercado interno, período associado a mudanças econômicas e trabalhistas no governo de Getúlio Vargas. Além disso, aponta a barreira linguística como fator relevante: o Brasil é o único país do continente que fala português, o que dificulta a penetração de conteúdo em espanhol, apesar da proximidade cultural com o mundo hispânico.

O crítico também destaca vínculos de Bad Bunny com a indústria norte-americana — Porto Rico é território ligado aos Estados Unidos — o que altera a estrutura de promoção e projeção internacional do artista. A apresentação no Super Bowl teve impacto direto: nas últimas semanas o cantor chegou ao 12º lugar entre os artistas mais ouvidos no país; na semana anterior, em 5 de fevereiro, ocupava a 85ª posição, sendo que sua melhor marca anterior no Spotify Brasil havia sido o 83º lugar.

Jáuregui observa ainda que a própria indústria americana passou a valorizar o público hispânico, que hoje representa cerca de 20% da população dos Estados Unidos, o que reforçou a projeção de artistas latinos no mercado global.

Presença latina no Brasil antes de Bad Bunny

Segundo o professor, Bad Bunny não é necessariamente um precursor da música latina no Brasil. Nomes como Shakira, Carlos Gardel, J Balvin e colaborações entre Anitta e Maluma já tiveram sucesso no país. Além disso, a influência musical entre Brasil e o restante da América Latina é antiga e foi incorporada por diferentes gêneros: o bolero cubano, por exemplo, teve impacto em canções internacionais e na música brasileira, e ritmos latinos influenciaram estilos como a lambada e a música sertaneja.

Em termos de presença nas paradas brasileiras, artistas norte-americanos costumam ter destaque constante: Taylor Swift figurou entre os artistas mais ouvidos no Brasil em 224 ocasiões e liderou o ranking várias vezes; The Weeknd também apareceu 224 vezes; Drake acumulou 198 semanas; e Billie Eilish registrou 224 aparições. Jáuregui ressalta que essas diferenças se relacionam à força das estruturas de promoção e distribuição globais.

A música latina, portanto, já tinha trajetórias e entradas no mercado brasileiro antes da chegada de Bad Bunny, embora a notoriedade massiva do porto-riquenho no Brasil só tenha se intensificado com sua recente exposição internacional.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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