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quarta-feira, agosto 5, 2026

Banco Central deve reduzir Selic pela quarta vez seguida, para 14% ao ano

Brasília, 5 de agosto de 2026 — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne nesta quarta-feira (5) e a maior parte do mercado financeiro espera o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros, com a Selic recuando de 14,25% para 14% ao ano. O anúncio oficial será divulgado após as 18h.

A taxa Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar pressões inflacionárias, cujo impacto incide com maior intensidade sobre a população mais pobre. Confirmada em 14% ao ano, a taxa atingiria o menor patamar desde março de 2025.

A despeito do corte previsto, em termos reais — descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses — a taxa brasileira permaneceria entre as mais elevadas globalmente. Para o fim de 2026, o mercado projeta a Selic em 13,75% ao ano, implicando nova redução já em novembro.

O movimento de queda nos juros ocorre em meio a riscos externos. A retomada da guerra no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação doméstica via aumento dos combustíveis. Em 2 de agosto, o presidente norte-americano Donald Trump prometeu novas rodadas de negociações com o Irã.

Como o Copom decide

O Banco Central atua conforme o sistema de metas de inflação. Quando as projeções de inflação estão alinhadas à meta, há espaço para reduzir os juros; se as projeções superam a meta, o Copom tende a manter ou aumentar a Selic. Desde o início de 2025, com a adoção do regime de meta contínua, a meta central foi fixada em 3%, com banda entre 1,5% e 4,5%.

Com a inflação permanecendo seis meses seguidos acima da meta em junho, o Banco Central divulgou uma carta pública para explicar os motivos. Na definição da taxa, o BC prioriza projeções futuras de inflação, porque alterações na Selic levam entre seis e 18 meses para produzir efeito pleno na economia. Atualmente, o foco inclui a meta para o primeiro trimestre de 2028.

As estimativas do mercado financeiro para a inflação são, por ano, 5,03% em 2026, 4,22% em 2027 e 3,80% em 2028 — todas acima da meta central.

comentários de especialistas

Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, afirma que, apesar das projeções de inflação acima da meta para os próximos anos, o cenário permite dar continuidade ao ciclo gradual de cortes nesta reunião, reduzindo a Selic para 14% ao ano. Salles recomenda cautela na comunicação do Copom e menor comprometimento com passos futuros da política monetária. Segundo ele, a persistência de expectativas de inflação acima da meta, um mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica ainda exigem postura contracionista. A ausência de resolução do conflito no Oriente Médio e a elevada incerteza externa, acrescentou, reforçam a necessidade de prudência.

Marco Antonio Caruso, economista do Santander, destacou que os dados mais recentes de inflação mostram melhora. Para Caruso, o IPCA-15 de julho surpreendeu para baixo, apresentando uma composição mais favorável e sinais positivos nos indicadores de núcleo. No entanto, ele ressalta que esses dados não resolvem o problema inflacionário: núcleos e serviços continuam acima de níveis compatíveis com a meta. Ainda assim, os números reduzem a urgência de uma mudança para postura mais restritiva e sustentam a visão de que a deterioração qualitativa da inflação pode ter deixado de acelerar.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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