A Binance anunciou neste sábado (31) que recuperou 90% do valor subtraído por um ataque hacker ocorrido na quinta-feira (29), quando mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas foram desviados. A corretora declarou que utilizará fundos próprios e reservas destinadas à proteção de clientes para cobrir integralmente o impacto financeiro sobre os usuários.
Segundo a empresa, dez criptomoedas — entre elas bitcoin (BTC) e ether (ETH) — já tiveram seus saldos totalmente repostos. A Binance informou que seguirá comprando os demais ativos para completar 100% da reposição, mas explicou que os 10% remanescentes são moedas com baixa liquidez no mercado, o que dificulta a aquisição em grandes volumes e pode retardar a recomposição.
Para financiar a cobertura das perdas, a corretora apontou o uso de um fundo de emergência criado para proteger clientes, parte de um fundo de seguro voltado a operações com criptomoedas e recursos do próprio caixa. Entre os instrumentos citados está o Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU), estabelecido em 2018 para situações excepcionais. A Binance disse ainda que pretende recompor seu saldo para cerca de US$ 1 bilhão.
A empresa também divulgou uma atualização de reservas com dados de 31 de outubro e informou que, a partir de terça-feira (3), os clientes poderão verificar tecnicamente se seus investimentos estão integralmente respaldados por ativos mantidos na plataforma. A previsão é que os saques, suspensos temporariamente após o ataque, sejam liberados no domingo (1º).
Investigação e medidas
O ataque, ocorrido na quinta-feira (29), foi considerado o maior roubo já registrado no mercado de criptoativos. As empresas TRM Labs e Chainalysis, que monitoram movimentações em criptomoedas, atribuíram a autoria do assalto a hackers ligados à Coreia do Norte, mas a Binance afirmou que ainda não identificou formalmente os responsáveis.
A corretora informou que trabalha com autoridades de vários países, incluindo o Federal Bureau of Investigation (FBI) e o United States Secret Service (USSS). Até sexta-feira (30), cerca de US$ 3 bilhões em ativos desviados haviam sido localizados — parcialmente bloqueados com a colaboração de outras empresas do setor —, sem que isso signifique recuperação total dos fundos.
Inicialmente, a Binance levantou a hipótese de que o ataque teve início a partir de um computador de um de seus engenheiros, o que teria permitido acesso a sistemas internos. Posteriormente, a empresa afirmou ter identificado outras falhas possíveis exploradas pelos criminosos. Relatórios da TRM Labs indicam que os invasores comprometeram o sistema encarregado de autorizar transferências, e que a maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos por volta das 17h (horário de Brasília).
Reação do mercado
Após a forte queda registrada na sexta-feira (30) em decorrência do incidente, as principais criptomoedas apresentaram recuperação no sábado (31). Por volta das 12h, o bitcoin tinha alta de 0,22%, cotado a US$ 77.430; o ether subia 0,44%, a US$ 2.247,99; e a solana avançava 1,25%, a US$ 95,77.
Uma imagem do logotipo da Binance exibida em um smartphone foi publicada em 28 de fevereiro de 2023 em Marple Township, Pensilvânia (Matt Slocum/AP).
Fonte: G1


