A interdição completa da Ponte Quinca Mariano, na divisa entre Minas Gerais e Goiás, já dura um mês e tem afetado o comércio e a circulação entre os estados. A travessia liga a MG-413, em Araguari (MG), à GO-139, em Corumbaíba (GO), e está em reforma estrutural orçada em R$ 25,9 milhões, com previsão de conclusão em até 12 meses.
O bloqueio interrompeu o fluxo de viajantes entre Goiás, Minas Gerais e São Paulo e trouxe impactos diretos a moradores e comerciantes da região da ponte. Na Comunidade da Ponte Quinca Mariano, composta majoritariamente por propriedades rurais, cerca de 10 estabelecimentos dependem do tráfego local para atender clientes.
A interdição parcial teve início em 15 de julho e, após a restrição total, proprietários relatam queda acentuada no movimento. Keny Gondim, 53 anos, dono da Oficina do Pastel — conhecida como “pastel da Ponte Quinca Mariano” e em funcionamento desde 1995 ao lado da ponte, no lado goiano — afirmou que o movimento do estabelecimento diminuiu cerca de 98%. Ele disse que manteve o local aberto apenas para conservação e precisou dispensar a maior parte dos funcionários.
Segundo Keny, há dias em que são vendidos apenas três a cinco pastéis, tornando a operação pouco compensadora; ele declarou que o negócio tem sobrevivido com reservas, sem garantia de por quanto tempo conseguirá manter-se aberto. A comunidade também manifesta receio de que a obra ultrapasse o prazo previsto, observando ritmo lento nas ações no local.
Em nota, a Goinfra informou que o cronograma da intervenção está mantido e que a conclusão segue prevista para ocorrer em até 12 meses. O órgão acrescentou que o planejamento e as etapas da obra são divulgados em conjunto com o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG).
Uma das reivindicações locais é a instalação de uma balsa sobre o Rio Paranaíba para facilitar a travessia. Lucélia Lima, que mora há 32 anos em uma residência na margem mineira onde vivem 12 pessoas, relatou que familiares mantêm um restaurante e uma padaria do outro lado do rio, e que ela, o marido e o filho trabalham na limpeza de ruas em Corumbaíba. A família considera os desvios indicados inviáveis para o dia a dia.
A balsa ainda não foi disponibilizada; a Goinfra informou que a implantação está em fase de estudo técnico de viabilidade.
Enquanto não houver alternativa sobre o rio, a agência indica rotas alternativas para motoristas:
De Corumbaíba (GO) para Araguari (MG): Corumbaíba → Nova Aurora → Cumari → Araguari; ou Corumbaíba → Buriti Alegre → Itumbiara → Tupaciguara → Araguari.
De Goiânia (GO) para Araguari (MG): Goiânia → Pires do Rio → Ipameri → Catalão → Araguari; ou Goiânia → Morrinhos → Itumbiara → Tupaciguara → Araguari.
De Caldas Novas (GO) para Araguari (MG): Caldas Novas → Cumari → Araguari; ou Caldas Novas → Buriti Alegre → Itumbiara → Araguari.
A obra é realizada em parceria entre a Goinfra e o DER-MG, com objetivo de revitalizar a infraestrutura viária na divisa entre os dois estados. Segundo a Goinfra, as intervenções visam garantir a segurança dos usuários e prolongar a vida útil da ponte, com serviços em pontos específicos e estratégicos da estrutura.
Durante a interdição, o tráfego está sendo desviado por rotas alternativas devidamente sinalizadas, com orientação do Comando de Policiamento Rodoviário da Polícia Militar de Goiás.
Fonte: Uberlandianofoco


