Medidas econômicas
As medidas anunciadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva para estimular a economia já somam R$ 283,2 bilhões, segundo compilação do banco suíço UBS atualizada pela reportagem. Esse total se aproxima do pacote de benefícios divulgado por Jair Bolsonaro quatro anos atrás, estimado em R$ 325 bilhões quando corrigido pela inflação, conforme dados compilados pela Reuters.
Diferenças nas estratégias
As ações do Executivo em 2026 abrangem reduções no Imposto de Renda, oferta de crédito com garantia de fundos estatais e programas de renegociação de dívidas. Limitado pelo novo arcabouço fiscal, o governo optou por mobilizar recursos que mexem o mínimo possível no caixa público, recorrendo ao sistema financeiro e a fundos de garantia estatais.
Do montante total levantado pela atual gestão, R$ 193,5 bilhões (69%) dependem da assinatura de contratos de crédito por cidadãos ou empresas. No entanto, o avanço de programas de crédito enfrenta entraves práticos: alta do endividamento, inadimplência em níveis recordes e restrições cadastrais impedem boa parte dos interessados de acessar empréstimos.
Casos emblemáticos
O programa Move Brasil, que prevê R$ 30 bilhões em crédito para compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, liberou até agora apenas R$ 2 bilhões. Parte da lentidão se explica pela restrição de clientes com nome negativado ou que não atendem critérios bancários. Outra iniciativa mencionada pelo governo é o novo “Desenrola Brasil”, ampliado para contemplar também quem está adimplente.
Comparação com 2022
Na eleição de 2022, segundo a Reuters, Bolsonaro lançou uma ofensiva conhecida como “PEC Kamikaze” durante o estado de emergência aprovado pelo Congresso. A estratégia combinou cortes de impostos e reforço a programas sociais, incluindo o então Auxílio Brasil e benefícios inéditos como Auxílio Caminhoneiro e Auxílio Taxista. Naquele ano, houve R$ 167,7 bilhões em isenções e desonerações (51,6%) e R$ 123 bilhões em transferências diretas à população (37,9%), com valores corrigidos pelo IPCA.
Posicionamento do Ministério da Fazenda
O Ministério da Fazenda rejeita a ideia de que as medidas têm finalidade eleitoral e afirma que a atuação busca o equilíbrio das contas públicas. Em nota à GloboNews, a pasta diz haver “uma busca incessante do equilíbrio fiscal, em especial com a meta de alcançar superávits primários em curtíssimo prazo” e lembra que, desde o início do governo, foram aprovadas “cerca de 70 políticas públicas” na área econômica pelo Congresso Nacional.
A Fazenda citou o “Novo Desenrola Brasil” como política de longo prazo para mitigar o endividamento das famílias, considera a reforma do Imposto de Renda — que prevê isenção para quem recebe até R$ 5 mil — como uma medida para aumentar a progressividade do IRPF e afirma que os juros dos empréstimos refletem fatores como prêmios de risco fiscal, inflação, câmbio e a trajetória da taxa básica, além da influência dos juros médios americanos, que, desde setembro de 2023, estão em níveis de duas décadas e contribuem para a manutenção de patamares elevados das taxas no Brasil.
Segundo a pasta, a política fiscal tem buscado reduzir taxas de juros e o custo nominal do endividamento ao promover equilíbrio fiscal, o que, na visão do ministério, ajuda a reduzir o risco fiscal e a estabilizar a dívida pública.


