Lead: A coluna analisa o alcance da independência do Brasil ao recordar o processo que se acelerou com a chegada da família real em 1.808 e culminou no Grito do Ipiranga, em 7 de setembro de 1.822, em meio às comemorações da Semana da Pátria e do 204º (ducentésimo quarto) ano da independência.
Quem e o que: O texto apresenta a independência como um processo político coletivo envolvendo figuras como Dom Pedro I, a Imperatriz Dona Maria Leopoldina, José Bonifácio de Andrada e Silva, Joaquim Gonçalves Ledo e grupos como a Maçonaria. Expõe ainda aspectos que compõem a extensão da independência: soberania política, autonomia econômica e liberdade diplomática e estratégica.
Quando e onde: Eventos-chave ocorreram entre 1.808 e 1.825, com destaque para o retorno do governo português ao Brasil em 1.808, a Revolução do Porto em 1.820, o “Dia do Fico” em 9 de janeiro de 1.822, o “Grito do Ipiranga” em 7 de setembro de 1.822 e a aclamação de Dom Pedro como Imperador em 12 de outubro de 1.822, sendo sua coroação em 1º de dezembro de 1.822.
Como: A vinda da corte portuguesa transformou o Brasil em sede do Império Português entre 1.808 e 1.821, o que resultou na abertura dos portos, na criação de instituições administrativas e no fim prático do período colonial. A decisão final pela separação envolveu cartas e despachos, a atuação do Conselho de Estado presidido por Maria Leopoldina em 2 de setembro de 1.822 e a atuação política de conselheiros e líderes locais.
Por que: Pressões das Cortes portuguesas que desautorizavam a regência de Dom Pedro e a necessidade de assegurar autonomia política e administrativa motivaram a ruptura formal com Portugal, culminando no grito de independência às margens do Riacho do Ipiranga.
Confrontos e consolidação: A independência não foi imediata nem isenta de violência: entre 1.822 e 1.824 ocorreram combates em diferentes regiões. A Batalha do Jenipapo (1.823) no Piauí e as lutas na Bahia (1.822–1.823), incluindo Pirajá e Itaparica, resultaram na expulsão das forças portuguesas de Salvador em 2 de julho de 1.823. Destacou-se a participação de Maria Quitéria. No teatro naval, houve combates na então Província Cisplatina (hoje Uruguai) e operações no Maranhão e no Grão-Pará conduzidas com apoio de oficiais estrangeiros como os almirantes Thomas Cochrane e Labatut.
Reconhecimento internacional: O reconhecimento da independência foi gradual. Os Estados Unidos reconheceram o Império do Brasil em maio de 1.824, motivados pela Doutrina Monroe e interesses comerciais; o México reconheceu diplomáticamente em 1.824; e Portugal só firmou o reconhecimento em 1.825, por mediação inglesa, mediante indenização de 2 milhões de libras esterlinas e concessões honoríficas relacionados a Dom João VI, formalizadas no Tratado de Paz, Amizade e Aliança de 29 de agosto de 1.825.
Personagens e instituições: Maria Leopoldina presidiu o Conselho de Estado em 2 de setembro de 1.822 e assinou o decreto de separação; José Bonifácio atuou como conselheiro chave e é lembrado como “O Patriarca da Independência”; Joaquim Gonçalves Ledo mobilizou o partido brasileiro no Rio de Janeiro e, com Januário da Cunha Barbosa, fundou o jornal Revérbero Constitucional Fluminense.
Maçonaria: Lojas maçônicas tiveram papel relevante ao propagar ideias iluministas e reunir lideranças pró-emancipação. Em junho de 1.822, lojas como Comércio e Artes contribuíram para a formação do Grande Oriente do Brasil (GOB). José Bonifácio e Joaquim Gonçalves Ledo estiveram entre os líderes maçônicos; Dom Pedro I também foi maçom (Guatimozim), ocupou posição de Grão-Mestre e recebeu o título de Defensor Perpétuo do Brasil.
Araguari – MG, 03 de setembro de 2.026.
Rogério Fernal.


