Resumo: Levantamento com indicadores como IDH, anos médios de estudo, desempenho em matemática, taxa de alfabetização e gasto público em educação aponta o Brasil na segunda colocação do grupo C da Copa do Mundo 2026 em termos educacionais, atrás da Escócia e à frente de Marrocos e Haiti.
Após o empate da seleção brasileira com o Marrocos na estreia da Copa do Mundo 2026 — partida disputada em 13 de junho —, o país ainda busca a primeira vitória na competição. Em um paralelo com a área de educação, no entanto, nenhum ajuste de estratégia esportiva alteraria a colocação do Brasil: o país aparece em segundo lugar no grupo C, abaixo da Escócia.
Quais indicadores foram usados
O levantamento considerou cinco conjuntos de indicadores: índice de desenvolvimento humano (IDH), anos médios de escolaridade, desempenho em disciplinas básicas (matemática, via Pisa), taxa de alfabetização e percentual do PIB destinado à educação.
IDH e anos médios de estudo
A Escócia lidera com folga no IDH, registrando 0,946. O Brasil figura com IDH de 0,786, seguido de Marrocos, com 0,710, e Haiti, em 0,554. A média de anos na escola também reflete essa ordem: no Reino Unido, que inclui a Escócia, a população estuda em média 13,5 anos, ao passo que no Haiti a média é de 5,4 anos.
Desempenho em matemática (Pisa)
Os resultados do Pisa 2022 mostram grande disparidade entre Brasil e Escócia. No Brasil, 73% dos estudantes de 15 anos não alcançaram o nível 2 em matemática — patamar básico para resolver problemas simples. Em Marrocos essa proporção é ainda maior, de 82%, enquanto na Escócia apenas 24% ficaram abaixo desse nível. O Haiti não participa do Pisa, mas dados disponíveis indicam severas dificuldades no sistema educacional do país.
Alfabetização
Gasto público com educação
Marrocos é o país do grupo que, proporcionalmente, mais aplica recursos na educação, com cerca de 6% do PIB; a Escócia destina 0,1 ponto porcentual a menos (aproximadamente 5,9%) e o Brasil, 5,6% do PIB. O Haiti destina apenas 1% da renda nacional ao setor. Especialistas ouvidos para a comparação ressaltam que porcentuais semelhantes sobre o PIB não equivalem a valores por aluno comparáveis, pois o PIB per capita varia entre os países, afetando o investimento disponível por estudante.
Daniel Perry, diretor executivo do Sistema Anglo de Ensino, destacou que os indicadores do Haiti refletem problemas socioeconômicos profundos — menor escolaridade média, menor expectativa de vida e acesso reduzido a serviços públicos — e que questões como pobreza, infraestrutura e financiamento comprometem a oferta educacional no país. Sobre alfabetização, Perry observou que Brasil e Escócia alcançaram níveis próximos de universalização, enquanto Marrocos e Haiti ainda apresentam parcela significativa de adultos sem pleno domínio da leitura e escrita.
Ao comparar os cinco indicadores, a Escócia mantém vantagem clara; o Brasil aparece em segundo lugar no grupo C, com desempenho superior ao de Marrocos e Haiti em vários quesitos, embora as distâncias para o primeiro colocado sejam substanciais.


