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sábado, maio 23, 2026

Brasil participa da 93ª Assembleia Mundial da OMSA em Paris e acompanha debates sobre sanidade animal e comércio agropecuário

O Brasil marcou presença na 93ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), realizada em Paris, na França. O encontro reuniu representantes de 183 países-membros para tratar de temas ligados à saúde animal, vigilância sanitária, comércio agropecuário e medidas de prevenção contra doenças que afetam o mercado internacional de proteínas animais.

O país ganhou destaque na assembleia após o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação, considerado um marco para o agronegócio brasileiro e com impacto direto em estados produtores de carne bovina, como Minas Gerais.

Delegações brasileiras no evento incluíram integrantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, técnicos da defesa agropecuária, representantes de entidades do setor pecuário e da indústria exportadora de carnes. O ministro Carlos Fávaro participou da cerimônia oficial ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no ato de recebimento do certificado internacional entregue pela diretora-geral da OMSA, Emmanuelle Soubeyran.

Ao comentar a conquista, o presidente Lula afirmou: “É o reconhecimento de um país que tem no agronegócio, na pecuária, uma das suas mais importantes vertentes econômicas. Esse certificado é o reconhecimento da robustez e da confiabilidade do nosso sistema de defesa agropecuária.” O ministro Carlos Fávaro também ressaltou o esforço coletivo: “Este é um dia histórico, que comprova a força da nossa sanidade agropecuária e abre grandes oportunidades comerciais. Receber o certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação é motivo de orgulho nacional. Um resultado de mais de 60 anos de trabalho sério e comprometido dos nossos estados e de todos que atuam nesse setor.”

Minas Gerais esteve representada pelo diretor técnico do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), André Duch, e pelo coordenador estadual do Programa Nacional de Vigilância da Febre Aftosa, Natanael Lamas. Também acompanharam a agenda representantes do sistema agropecuário mineiro e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG).

Segundo André Duch, a certificação decorre de décadas de ações coordenadas entre poder público, setor privado, entidades e produtores, e abre portas para novos mercados internacionais, fortalecendo a posição de Minas Gerais e do Brasil em sanidade animal.

O reconhecimento preocupa positivamente regiões como o Triângulo Mineiro, destacada na assembleia por ter sido o local do primeiro registro histórico de febre aftosa no Brasil, em 1895. A nova condição sanitária facilita a ampliação das exportações de carne bovina brasileiras e o acesso a mercados considerados mais exigentes, como Japão, Coreia do Sul e parte da União Europeia.

Representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do setor pecuário acompanharam a assembleia e afirmaram que o novo status sanitário fortalece a competitividade da proteína animal brasileira.

Entidades alertam para crise sanitária

Além da certificação ao Brasil, a OMSA discutiu temas como gripe aviária, resistência antimicrobiana, biossegurança, vigilância epidemiológica e os efeitos das mudanças climáticas na saúde animal. Relatórios apresentados na assembleia alertaram que crises sanitárias já provocam perdas estimadas em cerca de 20% da produção animal global e aumentam o risco de doenças zoonóticas.

A OMSA enfatizou a necessidade de reforçar estruturas sanitárias nacionais, ampliar vigilância epidemiológica, melhorar a capacidade de resposta a emergências e investir em inovação veterinária. Debateram-se também protocolos de biossegurança, rastreabilidade animal e a modernização dos sistemas de controle sanitário aplicados ao comércio agropecuário internacional.

O fórum principal desta edição adotou o tema “Investindo em saúde animal para garantir o futuro de todos”, com foco em prevenção sanitária, vacinação, monitoramento epidemiológico e tecnologia como ferramentas para reduzir perdas econômicas e fortalecer a segurança alimentar global.

Representantes da indústria brasileira de saúde animal, incluindo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (SINDAN), acompanharam as discussões em Paris, com atenção especial a biossegurança, regulamentação sanitária e inovação tecnológica aplicadas à saúde animal.

Fonte: Regionalzao

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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