Resumo: O embargo aprovado pela União Europeia e com entrada prevista para 3 de setembro pode causar perdas superiores a US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) nas exportações brasileiras para o bloco, segundo estimativas das cadeias afetadas. A restrição atinge carne bovina, mel e produtos de pesca, com impactos estimados por associações do setor para 2026 e projeções para 2027.
O bloqueio, já ratificado pela União Europeia, foi justificado pelo bloco pela suposta insuficiência dos mecanismos brasileiros de controle sobre o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas envolvidas. Empresários das áreas afetadas contestam a motivação sanitária e dizem que a medida tem caráter protecionista, citando pressões internas no mercado europeu.
A Associação Brasileira da Indústria de Carnes (Abiec) calcula perdas de US$ 504 milhões (R$ 2,6 bilhões) nas exportações de carne bovina ao mercado europeu apenas até o fim deste ano. Se a proibição permanecer em 2027, a entidade projeta impacto superior a US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões).
No setor de mel, a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) estima que cerca de US$ 4 milhões (R$ 20,3 milhões) deixarão de ser exportados para a UE entre setembro e dezembro. Já a Abipesca, que representa a indústria de pescados, calcula que o embargo pode impedir a entrada de até US$ 100 milhões (R$ 506,6 milhões) em receitas no ano seguinte, caso a reabertura do mercado europeu não ocorra.
O Brasil não exporta pescados para a União Europeia desde 2017 por razões sanitárias, mas o setor vinha trabalhando para retomar as vendas após uma auditoria realizada pelo bloco em junho. Representantes da indústria esperam um parecer favorável até o fim do ano, e alertam que a ativação do embargo em setembro poderia comprometer esse processo.
As entidades destacam que o sistema de defesa agropecuária brasileiro, ligado ao Ministério da Agricultura, registra um dos menores índices de rechaço do mundo, indicador que mede recusas em inspeções sanitárias e de qualidade. Para produtores e representantes dos setores, a questão seria de controle e fiscalização dos processos, e não de detecção de antimicrobianos nos produtos.
Em 2025, as exportações de carne bovina para a União Europeia representaram 3,68% do volume embarcado pelo setor e cerca de 6% da receita, com aumento de 7,2% no volume em relação a 2024. A UE concentra compras em cortes de maior valor agregado, como filé mignon, contrafilé e alcatra. Os Países Baixos foram o principal destino, movimentando US$ 382,8 milhões (R$ 1,94 bilhão) em 2025, seguidos pela Itália, com US$ 374,2 milhões (R$ 1,90 bilhão); Espanha, Alemanha e Bélgica vêm na sequência.
No caso do mel, a participação da União Europeia nas exportações brasileiras também gira em torno de 5%. Em 2025, as vendas ao bloco geraram US$ 6,2 milhões (R$ 31,4 milhões). No primeiro semestre de 2026, o faturamento com mel para a UE quase dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, subindo de US$ 3,18 milhões (R$ 16,1 milhões) para US$ 6,35 milhões (R$ 32,2 milhões).
O governo federal submeteu à União Europeia, em 6 de junho — três dias após a ratificação da medida —, um novo plano de fiscalização de antibióticos com detalhamento dos mecanismos oficiais de controle para carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca. A próxima reunião do bloco, na qual o documento poderá ser avaliado, está prevista apenas para novembro, cerca de dois meses após o início do embargo. Até o momento, as autoridades europeias não apresentaram manifestação conclusiva sobre a documentação enviada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Fonte: G1


