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quarta-feira, setembro 9, 2026

Brasil pode receber até 40% da cota adicional de importação de carne bovina dos EUA

O que aconteceu: O governo dos Estados Unidos autorizou uma cota extraordinária de importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, válida por 90 dias, com o objetivo de ampliar a oferta interna e ajudar a reduzir os preços, sobretudo da carne moída usada em hambúrgueres. Autoridades americanas anunciaram a medida no mês anterior.

Potencial do Brasil: Analistas estimam que frigoríficos brasileiros possam suprir entre 90 mil e 120 mil toneladas desse total, o que equivale a até 40% da cota adicional. A avaliação foi feita por Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, que aponta como vantagem o tamanho da indústria brasileira e a quantidade de estabelecimentos credenciados para exportar aos EUA.

Contexto americano: Os Estados Unidos enfrentam redução do rebanho bovino, o que diminuiu a oferta doméstica e pressionou os preços. O governo americano tem adotado medidas de incentivo à pecuária, mas a recomposição do rebanho leva tempo, razão pela qual o país recorre às importações para atender à demanda no curto prazo.

Regras e limitações: A nova cota difere da regra que já beneficia o Brasil: atualmente existe uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas com isenção tarifária para carne brasileira, volume que, segundo Iglesias, foi totalmente utilizado em apenas 15 dias. Após o esgotamento dessa cota, a carne brasileira pode continuar a entrar nos EUA, porém sujeita a uma tarifa adicional de 26,4%.

Fluxo comercial recente: Entre janeiro e agosto deste ano, os Estados Unidos importaram 269,1 mil toneladas de carne bovina do Brasil, gerando receita de US$ 1,74 bilhão — um aumento de 28,7% em volume em relação ao mesmo período de 2025. A cota adicional de 300 mil toneladas, por 90 dias, é oferecida sem a cobrança extra, criando melhores condições de acesso para os países que conseguirem ocupar esse espaço.

Competição pelo espaço: Nem todos os maiores fornecedores de carne para os EUA disputarão diretamente essa cota adicional: a Argentina já possui cotas próprias para o mercado americano. Os principais mercados fornecedores dos EUA, em ordem, são Brasil; Austrália; Canadá; México; Nova Zelândia. Segundo Iglesias, os concorrentes mais diretos nessa nova janela são o Paraguai e países da América Central, mas o Brasil teria vantagem pela escala industrial e pelo número de frigoríficos habilitados.

Tipo de produto buscado e desafio de preço: A demanda adicional dos EUA está concentrada em trimmings — pedaços retirados no processamento de carcaças usados na produção de carne moída. Esse corte tem menor valor agregado e representa apenas parte do animal, o que levanta dúvidas entre frigoríficos sobre a viabilidade de destinar esse produto ao mercado americano. As empresas avaliam o preço oferecido pelos compradores dos EUA, os custos de exportação e o retorno potencial em outros mercados. Há preocupação de que preços muito altos tornem a operação pouco atraente para importadores americanos, comprometendo o objetivo da medida de reduzir preços domésticos.

Como será decidido o acesso: A distribuição das 300 mil toneladas não é automática entre fornecedores; cada exportador precisará conquistar espaço no mercado americano, e a capacidade de oferecer o produto no preço que os compradores desejam será determinante.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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