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segunda-feira, setembro 21, 2026

Brasil registra recorde de doadores e transplantes em 2025, mas família recusa 45% das doações

Resumo dos principais dados

O Brasil atingiu em 2025 a marca de 4.335 doadores efetivos, equivalente a 20,3 doadores por milhão de habitantes, conforme o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). No mesmo ano, foram realizados 31 mil transplantes, número recorde na série histórica do país, segundo o Ministério da Saúde. Apesar dos avanços, a recusa familiar permanece como obstáculo: 45% das famílias consultadas optaram por não autorizar a retirada de órgãos após confirmação da morte encefálica, e 4.102 pessoas morreram enquanto aguardavam um órgão em 2025.

Listas de espera e números por tipo de procedimento

Em dezembro de 2025 havia 73.877 pacientes ativos na lista de espera, considerando também quem aguardava por córneas. O Ministério da Saúde contabiliza separadamente os pacientes à espera de órgãos sólidos, totalizando mais de 49,5 mil pessoas em 2026.

Dos 31 mil transplantes realizados em 2025, 17.790 foram de córnea, 6.697 de rim, 3.993 de medula óssea, 2.573 de fígado e 427 de coração. A distribuição interestadual coordenada pela Central Nacional de Transplantes possibilitou, em 2025, 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas.

Notificações e recusa familiar

No ano de 2025 foram registradas 15.940 notificações de potenciais doadores; em 4.200 desses casos a família recusou a doação. A legislação brasileira exige autorização familiar para a retirada de órgãos e tecidos de doadores falecidos, mesmo quando o indivíduo manifestou em vida o desejo de doar. Por essa razão, órgãos públicos e entidades do setor recomendam conversas prévias entre possíveis doadores e parentes.

Caso em Uberlândia e relato de beneficiária

Em fevereiro, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) realizou o primeiro transplante alogênico de medula óssea de sua história.

A gaúcha Liège Gautério ilustra o impacto dos transplantes: diagnosticada com fibrose pulmonar em 2003, passou a depender de oxigênio 24 horas por dia e entrou na lista para transplante de pulmão. Em 2011 recebeu o órgão, retrocedendo a situação de risco. Após o procedimento, dedicou-se ao esporte, foi em 2015 a primeira mulher brasileira a participar dos Jogos Mundiais para Transplantados e conquistou a primeira medalha de ouro feminina do país na competição. Liège criou o projeto Se Mexe TX para incentivar exercícios entre pessoas pré e pós-transplantadas e, segundo depoimento à ABTO, em 2023 iniciou participação em fisiculturismo.

Autorização eletrônica e orientações

Quem desejar registrar a manifestação de vontade em vida pode usar a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). Desde o início do levantamento, foram registradas 32.587 solicitações: 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e 5.042 em 2026. São Paulo lidera com 9.399 registros, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012).

O procedimento de AEDO inclui videoconferência com um tabelião para confirmação de identidade e formalização da declaração; o registro fica disponível na Central Nacional de Doadores de Órgãos para consulta por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes. Apesar disso, a AEDO não substitui a autorização da família, que continua sendo necessária.

Campanha Setembro Verde

A campanha Setembro Verde, realizada ao longo de setembro e com destaque para o dia 27 (Dia Nacional da Doação de Órgãos), tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a doação e estimular que potenciais doadores comuniquem sua vontade aos familiares.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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