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sexta-feira, maio 22, 2026

Cantor Natanzinho Lima diz ter tomado Venvanse para cumprir rotina de shows; especialistas alertam para riscos

Quem: O cantor Natanzinho Lima.

O que: Em participação no podcast “Podpah”, Natanzinho Lima relatou ter ingerido cápsulas do medicamento Venvanse (lisdexanfetamina) para dar conta da rotina de shows. A declaração reacendeu o debate sobre o uso de psicoestimulantes — entre eles o metilfenidato (vendido como Ritalina e Concerta) e a lisdexanfetamina — por pessoas sem indicação clínica, como estudantes e profissionais que enfrentam jornadas longas.

Quando e onde: A fala foi dada durante o episódio do podcast; o artista também foi fotografado apresentando-se no Ribeirão Rodeo Music 2026, em Ribeirão Preto (SP).

Como agem os medicamentos

O metilfenidato e a lisdexanfetamina pertencem à família dos psicoestimulantes, substâncias que excitam o sistema nervoso central. O metilfenidato atua inibindo a recaptação de neurotransmissores nas sinapses, prolongando sua ação. A lisdexanfetamina, derivada da anfetamina, aumenta a disponibilidade de noradrenalina e dopamina, produzindo efeito estimulante mais intenso.

Para que servem

O metilfenidato é indicado para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em crianças e adultos e também para narcolepsia. A lisdexanfetamina é indicada para TDAH e para o transtorno de compulsão alimentar; é vendida em cápsulas de 30 mg, 50 mg e 70 mg, e sua comercialização exige retenção de receita médica.

O que dizem os especialistas

O psiquiatra Amilton Santos Jr., da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, lembra que o precursor do metilfenidato foi estudado nos anos 1950 e acabou sendo direcionado ao tratamento de sintomas de desatenção após observações em crianças. Ele ressalta que o remédio não é cura e que não substitui abordagens não farmacológicas. Já Henrique Bottura, diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista, afirma que os efeitos de melhora cognitiva desses medicamentos estão bem documentados em pacientes com TDAH, mas são controversos para quem não tem o transtorno.

Riscos do uso sem prescrição

Especialistas ouvidos apontam que, em pessoas sem indicação médica, o uso indiscriminado pode não elevar a inteligência e pode até prejudicar memória e atenção em doses altas. Entre os efeitos colaterais citados estão aumento da ansiedade, dores de cabeça, perda de apetite, alucinações e agravamento de quadros psiquiátricos como esquizofrenia ou transtorno bipolar. Há também riscos menos frequentes, porém graves, como rabdomiólise, hepatite, alterações da pressão arterial e do ritmo cardíaco e, em casos extremos, lesão cerebral e risco à vida.

Pesquisadores ressaltam o potencial de dependência psicológica e o desenvolvimento de tolerância, que leva à necessidade de doses maiores, além do efeito rebote e quadro de abstinência quando o uso é interrompido. Por isso, especialistas alertam para a importância do diagnóstico e do acompanhamento médico, e desaconselham a automedicação.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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