Catadoras de mangaba no sul de Aracaju, Sergipe, tentam preservar um modo de vida e um patrimônio ambiental diante da especulação imobiliária que reduz áreas de coleta e compromete a produção do fruto.
As mulheres responsáveis pela coleta da mangaba, conhecida localmente como “cata”, veem seu território encurtado pela urbanização acelerada da região sul da capital sergipana. A redução das áreas de vegetação favorece a perda de biodiversidade, altera processos de polinização e diminui a produtividade das mangabeiras, segundo relatos das próprias catadoras.
Um patrimônio cultural em risco
A Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper (ACCMPLL) tem atuado como porta-voz dessa comunidade. A entidade foi contemplada com o Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, reconhecimento do trabalho voltado à manutenção de saberes tradicionais e à produção sustentável da mangaba.
Com investimento de R$ 45 mil, a associação promoveu oficinas e estudos voltados ao fortalecimento do turismo de base comunitária na região. A iniciativa busca valorizar a atividade extrativista e aumentar a renda das famílias que dependem da coleta, além de fomentar a preservação do fruto como elemento cultural.
O território ocupado pelas catadoras engloba duas áreas protegidas: a Reserva Extrativista Mangabeiras Missionário Uilson de Sá e uma área administrada pela União. Apesar de estarem sob gestões distintas, esses espaços formam um bloco cultural onde famílias mantêm práticas extrativistas há mais de 80 anos.
Desafios e oportunidades
A pressão imobiliária é apontada como principal desafio, reduzindo as áreas destinadas à coleta e comprometendo os serviços ambientais que sustentam a produção de mangaba. Para diversificar e reforçar sua atividade, as catadoras propõem a construção da Casa da Mangaba, prevista como um espaço de beneficiamento, museu sobre a cultura do fruto e ponto de atração para o turismo comunitário.
A temporada mais indicada para visitação e para o turismo de base comunitária ocorre entre julho e novembro, período em que a demanda turística pode contribuir para complementar a renda das famílias durante a entressafra.
O papel do poder público
A prefeitura de Aracaju comprometeu-se a apoiar a construção de uma unidade de beneficiamento da mangaba, medida considerada relevante para a viabilidade econômica das catadoras. Ainda assim, a comunidade relata insegurança quanto à proteção efetiva de seu território e à possibilidade de novas invasões e perda de áreas tradicionais.
O futuro das catadoras depende da conciliação entre medidas de proteção ambiental e o crescimento urbano, numa disputa que envolve preservação cultural, sustentabilidade econômica e planejamento territorial.
Fonte: https://uberlandianofoco.com.br/catadoras-de-mangaba-resistem-especulacao-imobiliaria-em-aracaju/ Uberlandianofoco


