Por Antônio Pitangui de Salvo, produtor rural, engenheiro agrônomo e presidente do Sistema Faemg Senar
O agronegócio brasileiro vive um período de alta vulnerabilidade, com produtores rurais enfrentando uma combinação de fatores que agravam a insegurança para quem produz alimentos, gera empregos e contribui de forma relevante para a economia nacional.
Entre os principais problemas apontados estão o crescimento do endividamento do setor e a manutenção de taxas de juros consideradas inadequadas para a realidade da atividade agropecuária. Paralelamente, há deficiência em uma política efetiva de seguro rural: recursos destinados ao setor vêm sendo reduzidos ao longo dos anos e parcela do orçamento foi contingenciada, o que deixa milhares de produtores expostos a riscos climáticos e de mercado.
O anúncio do Plano Safra 2026/2027 intensificou as apreensões no campo. Segundo o relato, os montantes disponibilizados são insuficientes, as taxas de juros permanecem elevadas e houve redução do crédito para custeio, o que pode comprometer a capacidade de giro e o investimento dos produtores.
As perspectivas para commodities relevantes também são preocupantes. Produtos como soja e milho, pilares da produção brasileira, não apresentam expectativas de preços favoráveis para a safra 2026/2027. Além disso, tensões geopolíticas elevam o risco de problemas no fornecimento de fertilizantes e outros insumos essenciais.
Outro ponto destacado é a falta de controle sobre determinadas importações, que tem provocado concorrência considerada desleal e pressionado segmentos produtivos. Setores como leite, frutas vermelhas, alho e tilápia, entre outros, enfrentam dificuldades diante da entrada de produtos estrangeiros em condições que prejudicam a competitividade da produção nacional.
O impacto desse quadro extrapola as propriedades rurais. Menor força do agro significa menos renda circulando, queda de investimentos e diminuição da arrecadação, com efeitos sobre áreas como educação, saúde, segurança e infraestrutura.
Há também preocupação social: o abastecimento alimentar, historicamente estável no país, não pode ser considerado garantido automaticamente. Produzir alimentos depende de condições adequadas para quem trabalha no campo.
O texto conclui com um apelo aos governantes para que, independentemente de posicionamentos ideológicos ou partidários, reconheçam a relevância do setor agropecuário e adotem medidas que fortaleçam o produtor, lembrando a premissa de que comida não tem partido.


