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segunda-feira, outubro 12, 2026

Como conversar com os filhos sobre dinheiro: mesada, poupança e compras digitais

Quem: famílias e especialistas em educação financeira infantil.

O quê: relatos de práticas usadas por pais para ensinar crianças a administrar dinheiro, acompanhados por dados de pesquisas e orientações de uma professora especialista.

Onde e quando: exemplos citados ocorrem em lares brasileiros e pesquisas foram realizadas entre 31 de agosto e 15 de setembro de 2026.

Ensino prático no dia a dia

Em visitas ao supermercado, o bancário Silas Gabriel entrega R$ 10 ao filho Rafinha, de 5 anos, para que o menino escolha alguns produtos. A prática estimula o garoto a comparar preços, desistir de itens quando julga caro e buscar alternativas. As postagens sobre essa experiência nas redes sociais da família tiveram grande alcance: três publicações ultrapassaram 10 milhões de visualizações cada.

Em casa, Silas e a família utilizam três cofrinhos: um para gasto imediato, outro para poupar pensando no futuro e um terceiro para doações, com o objetivo de ensinar tanto a economia quanto a partilha.

Mesada e metas

A jornalista e empreendedora Taiana Costa montou um sistema lúdico para os filhos — Lucas, de 10 anos, e o irmão, de 7 — que combina mesada, tarefas que rendem ganhos extras e descontos por determinadas situações. A mesada de Lucas começou quando ele tinha 9 anos. No fim do mês, a família calcula o saldo e estabelece metas de consumo, como juntar para um celular ou um PlayStation 5, mostrando que objetivos maiores exigem planejamento e que gastar tudo de uma vez pode postergar sonhos.

Taiana também relata sua experiência pessoal: começou a trabalhar aos 15 anos para juntar dinheiro e pagar a carteira de motorista aos 18.

O que dizem as pesquisas

Uma pesquisa da Serasa em parceria com a Opinion Box, aplicada entre 31 de agosto e 15 de setembro de 2026 com 1.066 pais de filhos de até 18 anos, aponta que investimentos são o tema mais difícil de explicar às crianças, segundo 28% dos entrevistados. Dívidas, juros e golpes ou fraudes financeiras aparecem em seguida, citados por 21% dos pais cada.

Outra investigação, do Instituto Locomotiva, mostra preocupação com o uso de tecnologia: 83% dos brasileiros concordam que crianças preferem telas a brincar na rua, e 82% são contra o acesso cotidiano a celulares e tablets por crianças de até 3 anos. No levantamento da Serasa, 32% dos pais afirmaram que os filhos já fizeram compras não autorizadas em aplicativos, jogos ou plataformas on-line; em 60% desses casos, os gastos foram de até R$ 100.

Orientações de especialistas

Arethuza Zero, professora doutora e fundadora da Educafinanceira, afirma que a educação financeira não precisa começar por números complexos: o momento adequado é quando a criança manifesta desejos, dizendo “quero” ou “compra”. Nesta fase, recomenda-se perguntar o motivo do desejo e se a criança realmente precisa do item, em vez de introduzir conceitos abstratos como juros a crianças muito pequenas.

Sobre a mesada, Arethuza defende que ela é uma ferramenta útil, mas não obrigatória; famílias devem avaliar sua realidade orçamentária. Ela não aconselha vincular mesada às notas escolares nem pagar por tarefas que fazem parte da rotina familiar, como arrumar a própria cama. Quando a criança gasta toda a mesada antes do mês acabar, os pais não devem repor automaticamente: manter o combinado permite que ela aprenda com as consequências, sempre numa abordagem sem humilhação.

Para lidar com a presença crescente de pagamentos eletrônicos, a especialista recomenda manter experiências com dinheiro físico — cédulas e moedas — em situações cotidianas, para que a criança perceba o escoamento dos recursos. Além disso, sugeriu envolver os filhos nas compras da casa, preparar listas com antecedência e explicar conceitos como necessidade, desejo e promoção, além de mostrar como ações simples influenciam contas de água e luz.

Quando a família enfrenta dificuldades financeiras, Arethuza orienta conversar com honestidade, respeitando a idade da criança e evitando transferir responsabilidades adultas para os filhos. O objetivo da educação financeira, segundo ela, é ajudar a compreender limites, fazer escolhas e planejar o futuro, não incentivar comparações entre famílias.

Para ler a matéria original, acesse https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/12/dar-mesada-ensinar-a-poupar-ou-deixar-gastar-veja-como-falar-de-dinheiro-com-os-filhos.ghtml.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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