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domingo, setembro 13, 2026

Como o Banco Master organizou a produção de documentos apontados como falsos, diz relatório da PF

Entre os arquivos está uma apresentação interna do próprio Master, apreendida na Operação Compliance Zero. O documento — identificado pela PF como “Investigações internas – Banco Master” — descreve um processo que vai da extração de dados de clientes à geração em massa, assinatura e envio de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento. A apresentação aponta envolvimento de profissionais de vários níveis, de diretores e gerentes a equipes de tecnologia e áreas operacionais.

Produção em massa e amostras

Manipulação de comprovantes e remoção de datas

Outras comunicações tratam da retirada de data e horário dos termos de consentimento. Allan encaminhou um termo a Moacir Lourenço da Silva Junior, da área de tecnologia, instruindo: “Precisamos excluir a data.” A PF cita ainda um caso em que um documento indicava data de 21 de janeiro de 2025, mas a assinatura eletrônica só ocorreu em 20 de junho de 2025, cinco meses depois, o que, para os peritos, reforça a suspeita de produção posterior de documentos.

Auditoria externa e orientação para atribuir ‘erro operacional’

A apresentação registra também cobranças da auditoria externa Deloitte sobre divergências na documentação das carteiras. Diante das cobranças, o coordenador de controles Fabrizio Pereira Alencar questionou o diretor Alberto Felix de Oliveira Neto sobre como responder. Em mensagem citada no relatório, Alberto orienta Fabrizio: “Esse tem que falar que foi erro operacional na seleção”. A PF aponta que essa orientação ocorreu após e-mail da Deloitte sobre irregularidades nos contratos da carteira da Tirreno, referentes ao período de dezembro de 2024 a março de 2025.

Padrão investigado pela PF

Os peritos da Polícia Federal analisaram um conjunto de operações que somam R$ 47,78 bilhões entre Master e BRB, das quais R$ 31,74 bilhões correspondem a vendas de carteiras pelo Master ao banco público. A perícia identificou práticas repetidas: pagamentos antes da conclusão de análises técnicas, pareceres finalizados após liberação de recursos, compras fracionadas para manter decisões em nível diretorial, concentração de compras em uma única instituição e continuidade de pagamentos mesmo após alertas sobre problemas nas carteiras.

Para a PF, a recorrência desses procedimentos e a utilização de mecanismos que teriam reduzido a eficácia dos controles internos do BRB configuram, segundo o laudo técnico-pericial, padrão compatível com “gestão fraudulenta” e não apenas com gestão temerária. A apresentação encontrada no acervo digital entregue pelo liquidante do banco passou a integrar as evidências que sustentam a investigação sobre as cessões de crédito ao BRB.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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