Aumentar a expectativa de vida não garante, por si só, manutenção da autonomia na terceira idade. O Brasil já soma mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o Censo 2022 do IBGE — um crescimento de 56% em relação a 2010 — e, para especialistas, a capacidade de escolher como viver aos 70, 80 ou 90 anos depende de práticas iniciadas muito antes.
A geriatra e especialista em Medicina do Estilo de Vida Ludmila Miguel Carrara Habib, da Clínica Haya, afirma que o envelhecimento saudável deve ser visto como um processo construído ao longo da vida. Para ela, avaliar apenas a presença de doenças não é suficiente: é preciso observar a funcionalidade, ou seja, a habilidade de realizar as atividades do dia a dia com independência e qualidade de vida.
Sinais precoces de perda de funcionalidade
Quedas são uma das principais preocupações na terceira idade e não devem ser tratadas apenas como “efeito da idade”. O Ministério da Saúde alerta que incidentes desse tipo podem indicar redução de força, problemas de equilíbrio, alterações na visão, mudanças na marcha ou outras condições que exigem investigação.
Mudanças como dificuldade para levantar de uma cadeira, andar com insegurança, tropeços frequentes, abandono de atividades rotineiras ou aumento da dependência para tarefas simples são sinais que merecem atenção. A médica destaca que famílias costumam notar o problema somente após uma queda ou internação, embora o processo de perda funcional possa ter começado muito antes.
Prevenção e hábitos ao longo da vida
A atividade física regular desempenha papel central na prevenção: melhora força, equilíbrio e postura, reduz o risco de quedas e contribui para manter autonomia e independência. Além do exercício, o conjunto de medidas recomendado inclui sono adequado, alimentação equilibrada, acompanhamento médico, cuidado com a saúde mental, manutenção de vínculos sociais e estímulos intelectuais, todos importantes em diferentes fases da vida.
Para quem já está na terceira idade, a orientação é que nunca é tarde para adotar comportamentos saudáveis. O objetivo, segundo a geriatra, não é buscar uma velhice perfeita, mas preservar o máximo possível a capacidade de viver com independência, segurança e propósito.
O Dia do Idoso, comemorado em 1º de outubro, é lembrança para pensar nas ações que cada pessoa pode começar hoje para aumentar as chances de viver com autonomia no futuro.
Fonte: Revistasoberana


