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sexta-feira, março 6, 2026

Corte dos EUA anula tarifas de Trump e aumenta incerteza nas relações com a China

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as amplas tarifas impostas pela administração de Donald Trump introduziu nova incerteza nas negociações comerciais entre Washington e Pequim. Tomada na sexta-feira, a sentença altera o ambiente entre as duas potências em um momento em que ambas tentam evitar uma guerra comercial que poderia afetar a economia global.

Especialistas afirmam que o veredito favorece politicamente a China, mas que Pequim provavelmente agirá com cautela para não explorar excessivamente a vantagem, sobretudo tendo em vista a possibilidade de medidas alternativas por parte do governo americano. A decisão surge antes da viagem oficial de Trump a Pequim, marcada para 31 de março a 2 de abril, quando ele se encontrará com o presidente Xi Jinping.

Autoridades e analistas destacaram que, embora o resultado jurídico dê à China um impulso em negociações, líderes chineses podem preferir consolidar a trégua comercial já em vigor a adotar posturas provocativas. Ali Wyne, do International Crisis Group, avaliou que Xi tende a não ostentar a vitória judicial e deverá procurar fortalecer a relação com Trump para manter a estabilidade bilateral, o que pode facilitar concessões americanas em questões de segurança regional.

Do lado chinês, o porta-voz da embaixada em Washington, Liu Pengyu, afirmou que guerras tarifárias e comerciais não beneficiam nenhuma das partes e pediu colaboração entre Pequim e Washington para aumentar a previsibilidade e a estabilidade da cooperação econômica bilateral e da economia mundial.

A decisão também provoca apreensão entre parceiros comerciais dos EUA na Ásia e em outras regiões, muitos dos quais celebraram acordos para mitigar os efeitos iniciais das tarifas. Dan Kritenbrink, do The Asia Group e ex-secretário assistente de Estado para o Leste Asiático, previu que aliados asiáticos agirão com prudência, mantendo acordos existentes enquanto avaliam as consequências da sentença; ele citou atenção especial ao Japão antes da visita da primeira-ministra Sanae Takaichi a Washington, prevista para março.

Reagindo à derrota na Corte, Trump anunciou a intenção de voltar a impor uma tarifa global temporária de 10%, com possibilidade de elevação a 15%, além de estudar outros caminhos legais para taxar importações. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, a administração já havia usado poderes emergenciais para aplicar tarifas — inicialmente de 20% sobre produtos chineses por questões ligadas a substâncias que podem ser usadas na produção de fentanil — e depois tarifas recíprocas que chegaram a 34% em alguns casos. Essas medidas provocaram retaliações e, em momentos de maior tensão, taxas ultrapassaram 100% antes de recuos de ambos os lados.

Após rodadas de negociações e uma cúpula em Busan, em outubro, EUA e China firmaram uma trégua de um ano com uma tarifa-base de 10%; Trump reduziu também a chamada tarifa do fentanil para 10%, e Pequim retomou cooperação para restringir certos insumos. Observadores como Wendy Cutler, do Asia Society Policy Institute, acreditam que a administração pode ativar rapidamente um “plano B”, citando uma investigação em andamento do Escritório do Representante de Comércio dos EUA sobre o cumprimento chinês de compromissos anteriores — mecanismo que poderia justificar novas tarifas sob a lei comercial caso haja descumprimento.

No Congresso, o deputado Ro Khanna, principal democrata no Comitê Especial da Câmara sobre o Partido Comunista Chinês, pediu uma estratégia mais firme para responsabilizar a China por práticas comerciais consideradas desleais e para articular ações com aliados. Consultores de risco, como Gabriel Wildau, da Teneo, lembram que Trump já mostrou disposição para recorrer a outras bases legais para impor tarifas, e que Pequim parte do pressuposto de que medidas similares podem ser mantidas ou reeditadas com relativa facilidade; ao mesmo tempo, a China busca negociar reduções tarifárias em troca de garantias de compras ou outras concessões.

A notícia segue sem definição clara sobre os próximos passos práticos, enquanto Bruxelas, aliados asiáticos e mercados globais aguardam sinais de como Washington e Pequim ajustarão suas estratégias comerciais nas próximas semanas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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