19.6 C
Uberlândia
segunda-feira, maio 25, 2026

Crescimento populacional eleva custo de vida e imóveis em João Pessoa, dizem moradores e especialistas

Expansão atrai moradores e pressiona mercado imobiliário e serviços

O aumento da população em João Pessoa tem provocado elevação do custo de vida e valorização dos imóveis na capital da Paraíba, segundo relatos de moradores, corretores e pesquisadores. Quem voltou à cidade nos últimos anos percebe mudanças no dia a dia, no preço de produtos e na disponibilidade de moradia.

A publicitária Rebeca Cirino, de 39 anos, voltou para João Pessoa há quatro anos com o marido e a filha em busca de uma rotina mais tranquila depois de viver em São Paulo. Ela afirma que encontrou a cidade mais desenvolvida do que quando saiu há 15 anos, mas nota alta nos preços — citou, por exemplo, o aumento do coco de R$ 2 em 2022 para R$ 6 a R$ 7 atualmente. O advogado Ezequiel Ribeiro, de 35 anos, ressalta que supermercados e restaurantes ficaram mais caros e que trajetos curtos de carro passaram a demorar muito mais no horário de pico.

Os dados confirmam parte dessas percepções. Pelo índice FipeZap, o preço médio do metro quadrado subiu de R$ 4,5 mil, em 2019, para R$ 8 mil em 2026. No levantamento do IBGE, João Pessoa foi a quinta capital que mais ganhou habitantes no país, com taxa média de crescimento de 1,19% ao ano — equivalente a acréscimo de 110 mil moradores em 12 anos — e população estimada atualmente em 833.932 pessoas.

O ambientalista Marco Túlio Gusmão, morador de longa data, aponta que a valorização imobiliária — que alcançou 15,15% em João Pessoa no último ano, índice superado apenas por Salvador (16,25%) — é um dos vetores das transformações. Segundo ele, esse movimento impacta serviços, lazer e consumo cotidiano e concentra-se em áreas próximas ao litoral, favorecendo discussões sobre gentrificação.

O corretor Caio César de Queiroz Ferreira observa mudança no perfil dos novos residentes: além de aposentados, a cidade passou a atrair profissionais mais jovens e com maior poder de compra, muitos em trabalho remoto. Em março, a média do metro quadrado em João Pessoa atingiu R$ 8 mil, enquanto em Cabo Branco chegou a R$ 12,3 mil — alta de 10,4% em 12 meses. Em alguns bairros da orla, os aluguéis acumulam reajustes entre 20% e 30% nos últimos anos.

Pesquisadores também destacam efeitos sobre infraestrutura. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram crescimento da frota de automóveis de 474 mil em 2024 para mais de 501 mil em 2026, pressionando os deslocamentos. O pesquisador Joácio Morais Júnior, coordenador do laboratório de Sistemas Ambientais Urbanos da UFPB e presidente do Instituto ARBOR, afirma que a expansão não foi acompanhada pela rede de esgotamento. Segundo o Instituto Trata Brasil, 72,36% do esgoto de João Pessoa é coletado e encaminhado para tratamento, enquanto o restante tem destino incerto, o que pode causar transbordamentos e impactos ambientais.

O geógrafo Alexandre Sabino do Nascimento, da UFPB, analisa que o crescimento segue um modelo urbano alinhado a interesses imobiliários. Ele cita mudanças no Plano Diretor que reduziram instrumentos de participação popular, como audiências públicas e conselhos urbanos, e aponta um déficit habitacional estimado em cerca de 50 mil domicílios, com muitas famílias comprometendo mais de 30% da renda com aluguel. Segundo o pesquisador, incorporadoras vêm formando “bancos de terra”, concentrando terrenos e reduzindo oferta, o que ele considera fator de elevação de preços.

A Prefeitura informou, em nota enviada à reportagem, que o crescimento exige adaptação da infraestrutura e que tem investido em mobilidade, citando obras como o Complexo Viário Beira Rio e novos corredores de transporte coletivo para melhorar a fluidez e preparar a cidade para aumento da demanda. A administração também destacou projetos voltados à integração viária e ao turismo. A reportagem afirma que voltou a procurar a Prefeitura para questionar se a expansão atende a interesses imobiliários, mas não obteve resposta sobre esse ponto.

Especialistas ouvidos pela reportagem sugerem medidas como fiscalização de ligações clandestinas, ampliação da rede de coleta de esgoto, instalação de sensores de qualidade da água, uso de soluções alternativas em áreas não atendidas e revisão de parâmetros de ocupação com proteção de áreas ambientais sensíveis como forma de conciliar crescimento e preservação.

Fonte original: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também