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sábado, setembro 26, 2026

Criminosos anunciam pacotes de vídeos de abuso sexual infantil por R$ 10 no Telegram e recebem pagamento por PIX

Uma apuração do g1 identificou que perfis no TikTok têm funcionado como vitrine para a oferta de pacotes com vídeos e fotos de abuso sexual infantil, cuja negociação ocorre majoritariamente dentro do Telegram. A reportagem localizou ao menos 35 publicações na plataforma que direcionam interessados para links, contas e grupos que comercializam esse tipo de material.

Os anúncios apresentam variação de preços: ofertas vão de R$ 10 até cerca de R$ 150. Em exemplos verificados, pacotes em sites externos aparecem com valores em dólares — US$ 25 (aproximadamente R$ 130), US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (aproximadamente R$ 90). Em promoções divulgadas em chats, um pacote de 3 GB foi ofertado por R$ 10 e outro de 15 GB por R$ 35. Há também grupos que cobram R$ 20 por acesso “vitalício”.

Alguns vendedores aceitam criptomoedas como bitcoin e ether; outros utilizam o sistema de pagamentos instantâneos PIX. A dinâmica de compra descrita pelos anúncios costuma incluir o envio de uma prévia em vídeo autodestrutivo — apagado após a primeira visualização — e, depois de confirmada a transferência via PIX, o envio dos arquivos na própria conversa.

Para acessar os grupos e canais no Telegram, os anúncios no TikTok frequentemente publicam links com o termo “invite” seguido de um código. Quem clica precisa informar essa sequência para visualizar uma prévia do conteúdo ou entrar em contato com bots e vendedores que operam diretamente na plataforma.

Investigadores da Polícia Federal ouvidos pelo g1 afirmam que o uso do PIX tem dado sensação de impunidade aos criminosos, que costumam empregar contas de terceiros, laranjas, ex-namoradas ou até a conta bancária de vítimas e familiares para receber os pagamentos. Em uma das interações registradas, um anunciante afirmou usar a conta de uma “menina” e garantiu que a transação não seria rastreada — afirmação rebatida pela PF, que lembra que pagamentos via PIX deixam registros que podem auxiliar na identificação de compradores e vendedores.

Em um caso específico, a chave PIX divulgada pelo anunciante era um e-mail com domínio @estudante.rs.gov.br. O g1 informou que a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul comunicou estar em contato com as autoridades policiais para apurar o episódio.

Além de anúncios pagos, foi localizado um site que estimula compradores a divulgar links no TikTok em troca de acesso gratuito a novos conteúdos, oferecendo também opções de pagamento por cartão de crédito e PIX. A estratégia transforma usuários interessados em disseminadores do material.

As empresas envolvidas foram procuradas. O Telegram afirmou proibir a distribuição de material de abuso sexual infantil e informou ter removido centenas de milhares de grupos e canais relacionados ao tema em 2026, além de usar tecnologia de varredura para detectar e bloquear esse tipo de mídia. O TikTok disse que remove postagens dessa natureza rapidamente, bane contas envolvidas e reporta casos a autoridades internacionais, apontando alta taxa de remoção proativa em seus relatórios.

Legislação e penalidades

Desde o início de agosto de 2026, nova lei endureceu as penas para crimes que envolvem conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes. A sanção presidencial ocorreu em 6 de agosto de 2026, após aprovação no Senado em 7 de julho. Quem produz ou vende esse material passa a responder por pena de 4 a 10 anos de reclusão e multa; quem adquire, possui ou mantém o conteúdo está sujeito a 3 a 6 anos de reclusão e multa. O texto do projeto, de autoria do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), inclui como crime representações audiovisuais que envolvam crianças ou adolescentes em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, inclusive produções geradas por inteligência artificial.

Como denunciar

Em casos de suspeita ou flagrante de violência infanto-juvenil, as autoridades recomendam:

  • Polícia Militar – telefone 190, quando a criança estiver em risco imediato;
  • Samu – 192 para socorro urgente;
  • Delegacias especializadas em atendimento a crianças ou mulheres; qualquer delegacia de polícia;
  • Disque 100 para denúncias anônimas de violações de direitos humanos;
  • Profissionais de saúde: obrigação de notificar casos suspeitos, encaminhando às autoridades competentes;
  • WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008;
  • Ministério Público;
  • Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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