Quem e o que: A resolução do Ueno Bank, instituição ligada ao Grupo Vázquez, desencadeou uma crise política no Paraguai que levou ao impeachment e à prisão do presidente Santiago Peña, além da detenção de ex-executivos do banco. Peña havia sido acionista do grupo até março de 2025.
Quando e onde: O Banco Central do Paraguai iniciou o processo de resolução do Ueno em 3 de novembro de 2026. Em 5 de novembro, o juiz responsável determinou prisão preventiva para seis ex-dirigentes do banco; horas após o impeachment, Peña foi detido em casa.
Crescimento e presença no mercado
O Ueno nasceu após a compra da Financiera El Comercio em 2021 e lançou a marca em fevereiro de 2022; em novembro de 2022 recebeu autorização do Banco Central do Paraguai para atuar como banco e, em 2024, incorporou o Visión Banco. Em cerca de três anos, a instituição alcançou 3 milhões de clientes — equivalente a aproximadamente 60% da população adulta do país —, acumulando US$ 3,75 bilhões em ativos e concentrando cerca de 9,1% dos depósitos do sistema financeiro paraguaio.
Semelhanças com o caso Master
Especialistas ouvidos observam pontos de contato entre o episódio do Ueno e a crise do Banco Master no Brasil. Entre as convergências estão a exposição de recursos públicos, inclusive de regimes previdenciários, crescimento acelerado e estreitas relações com o mundo político. No Paraguai, o Ueno administrava cerca de US$ 850 milhões de fundos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social (IPS). No Brasil, regimes próprios de previdência de estados e municípios investiram cerca de R$ 1,8 bilhão em títulos emitidos pelo Master.
Diferenças importantes
Analistas destacam que a escala do Ueno na economia paraguaia e sua ligação direta ao presidente tornaram o impacto político muito maior do que o observado no caso brasileiro. Enquanto o Master dispunha de R$ 86,8 bilhões em ativos, representando cerca de 0,55% das captações do sistema financeiro brasileiro, sua liquidação afetou sobretudo investidores e o Fundo Garantidor de Crédito, que desembolsou mais de R$ 40 bilhões. No Paraguai, o congelamento de depósitos e operações do Ueno gerou filas, dificuldades para pagamentos cotidianos e protestos nas ruas.
Relações políticas e supervisão
No Paraguai, o histórico de empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador levanta suspeitas sobre a supervisão; Carlos Carvallo Spalding, ex-executivo do Ueno, havia assumido a presidência do Banco Central paraguaio antes do caso. No Brasil, investigações apontaram contatos diretos entre o Master e autoridades, inclusive ex-dirigentes do Banco Central, além de doações e financiamentos que envolveram figuras públicas.
Consequências e prisões
No âmbito penal, o juiz determinou prisão preventiva para executivos do Ueno — entre eles o ex-presidente Juan Manuel Gustale e o fundador do Grupo Vázquez, Federico Miguel Vázquez Villasanti — e prisão domiciliar para duas ex-diretoras; as investigações incluem acusações como abuso de confiança e tentativa de fraude. No Brasil, o controlador do Master, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente em novembro de 2025, solto e novamente detido em março de 2026 no curso das investigações.
O caso do Ueno acelerou um processo político já tenso no Paraguai, com perda de apoio dentro do partido Colorado e mudança na liderança nacional, enquanto as apurações judiciais seguem em andamento.
Fonte: G1


