Concorrência chinesa e queda de lucros levam a demissões e reestruturações
As principais montadoras alemãs vêm anunciando cortes expressivos de pessoal e revisão de estratégias diante da pressão crescente das fabricantes chinesas, especialmente no mercado de veículos elétricos. Em meio à perda de margem e à mudança da demanda global, empresas como BMW, Porsche, Volkswagen, Mercedes-Benz e Audi comunicaram nos últimos meses programas de redução de custos e fechamento ou reavaliação de unidades produtivas.
BMW informou na quarta-feira, 29 de julho de 2026, que pretende eliminar até 8 mil postos de trabalho no mundo, o que equivale a cerca de 5% de sua força de trabalho global de 154 mil funcionários. A fabricante, que também controla as marcas Mini e Rolls-Royce, afirmou que o impacto será mais intenso nas operações na Alemanha. A empresa, baseada em Munique, atribuiu as medidas ao forte recuo das vendas na China e à concorrência dos veículos elétricos chineses, que reduziram seu poder de precificação.
No segundo trimestre encerrado em junho, a BMW teve o lucro líquido reduzido em 35%, para 1,2 bilhão de euros, enquanto a receita caiu de 34 bilhões para 31 bilhões de euros. A montadora também revisou para baixo suas projeções para o restante do ano, alertando para uma “queda significativa” nos lucros.
Porsche, dois dias antes, anunciou planos de cortar mais 5 mil empregos na Alemanha até o fim de 2035, o equivalente a cerca de um em cada cinco funcionários. A fabricante já havia previsto no ano passado a eliminação de 1,9 mil postos na região até 2029 e o fim de 2 mil contratos temporários. A Porsche, que pertence ao Grupo Volkswagen, disse que as medidas afetarão sua fábrica principal em Stuttgart‑Zuffenhausen e o centro de P&D em Weissach, além de atrasar aumentos salariais e vincular bônus mais diretamente aos lucros.
Volkswagen, maior montadora da Europa, ampliou no mês passado seu programa e passou a planejar a eliminação de até 100 mil empregos e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha. Sindicatos e o estado da Baixa Saxônia rejeitaram os novos planos. A Volkswagen emprega cerca de 630 mil pessoas no mundo, ou 680 mil se incluídas joint ventures chinesas, número significativamente maior que o de concorrentes como a Toyota.
A Mercedes‑Benz vem implementando um plano de economia de 5 bilhões de euros até 2027, sem recorrer inicialmente a demissões compulsórias na Alemanha, apostando em saídas voluntárias — cerca de 5.500 funcionários já deixaram a empresa até março. A montadora reportou baixas contábeis superiores a 700 milhões de euros relacionadas à forte concorrência na China; no segundo trimestre, o lucro líquido cresceu 13,5%, para 1 bilhão de euros, enquanto o lucro operacional da divisão principal caiu 25%, para 909 milhões de euros.
A Audi, controlada pela Volkswagen, planeja eliminar até 7,5 mil postos na Alemanha até o fim de 2029 por meio de programas voluntários e aposentadorias antecipadas. A controladora incluiu a fábrica de Neckarsulm entre unidades que poderão ser fechadas em 2030, uma decisão que pode afetar cerca de 15 mil trabalhadores.
Entre as causas apontadas pelas montadoras para a piora estão a expansão das fabricantes chinesas em mercados da Europa, Ásia‑Pacífico e América Latina, tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o aumento dos custos de energia em razão da guerra entre EUA, Israel e Irã. No Brasil, a concorrência chinesa e a popularização dos elétricos já contribuíram para a primeira queda em seis anos no preço médio do carro zero.
Fonte: G1


