A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) marcou para o dia 8 de setembro, às 15h, a sessão presencial no Rio de Janeiro que vai julgar processo administrativo que apura supostas fraudes no mercado de capitais. O relator designado para o caso é o diretor João Accioly.
O que será analisado
O procedimento tem como objeto a investigação de irregularidades atribuídas à 3ª emissão de cotas do Brazil Realty FII. Segundo a pauta da autarquia, o processo investiga a ocorrência de operação fraudulenta no mercado de capitais, além de possíveis violações de deveres fiduciários e de prestação de informações, e de prática de embaraço à fiscalização da própria CVM.
Entre os acusados estão o Banco Master — atualmente em liquidação extrajudicial — o banqueiro Daniel Vorcaro e outros membros da família Vorcaro. A lista citada pela autarquia inclui, entre outros, Henrique Moura Vorcaro (pai de Daniel) e Felipe Cançado Vorcaro (primo), além de empresas ligadas ao grupo e participantes da operação investigada.
Conforme a CVM, os acusados e seus advogados foram informados de que poderão comparecer à sessão e realizar sustentação oral, presencialmente ou por videoconferência, observadas as regras previstas pela autarquia.
Acusação e antecedentes
A acusação da CVM aponta que algumas empresas teriam recebido cotas do Brazil Realty FII em troca de terrenos, ações e participações societárias que, segundo a autarquia, teriam sido avaliados por valores superiores ao seu valor real.
O caso faz parte de um conjunto de investigações que ganhou dimensão após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em 2025. Desde então, autoridades passaram a investigar suspeitas de fraude financeira envolvendo o banco e seus controladores.
Em janeiro de 2026, a Polícia Federal abriu uma frente de investigação sobre uma campanha de ataques nas redes sociais dirigida ao Banco Central. Em março do mesmo ano, a PF deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão novamente de Daniel Vorcaro e apontou suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e manipulação de mercado. Em maio, as apurações avançaram sobre supostas operações destinadas a inflar artificialmente o patrimônio do banco e o valor de ativos vinculados ao grupo.
A CVM é o órgão responsável pela fiscalização do mercado de capitais brasileiro e pode instaurar Processos Administrativos Sancionadores para apurar irregularidades e aplicar sanções como multas e inabilitações, conforme descrito no procedimento que será julgado em 8 de setembro.
Fonte: G1


