A artista Denise Milan apresenta no Museu de Arte Sacra de São Paulo uma exposição que propõe uma investigação sobre a “vida interior” das pedras, estabelecendo um diálogo entre elementos minerais, memória e consciência. A mostra utiliza materiais naturais e processos escultóricos para abordar a relação entre natureza e humanidade.
Estrutura e temas da exposição
A mostra foi organizada em cinco núcleos, cada um direcionado a um aspecto distinto dessa interlocução entre matéria e sentido. No segmento “Elementares I”, basaltos e quartzos cristalizados são trabalhados até assumirem referências formais ao corpo humano, numa proposta que a artista define como “enunciações de vidas eternas”. A proposta enfatiza a complexidade e a estética das formas naturais.
Em “Elementares II”, a continuidade da exploração ocorre por meio de esculturas em alumínio fundido que associam geologia, corpo e memória. As peças combinam materiais e referências para provocar um encontro entre passado geológico e presença humana, sugerindo conexões entre experiências individuais e processos naturais.
No núcleo intitulado “Imaginários da Terra”, composições feitas com pedra, metal e quartzito funcionam como representações simbólicas da formação do planeta. Essas obras atuam como mapas visuais que remetem à origem e à história da Terra, colocando o visitante diante de imagens que evocam trajetória e materialidade.
Ruptura, transformação e origem
O conjunto “Explosões” concentra trabalhos que focalizam a expansão e a ruptura internas dos cristais, sinalizando processos de transformação e renascimento. A série aborda, por meio da fragmentação e do movimento, noções de mudança e reconstrução.
O último núcleo, “Origens”, encerra a mostra com uma reflexão sobre a procedência da matéria, da vida e da consciência. A curadora Naomi Moniz caracteriza a exposição como um convite ao “transumanar”, entendendo-a como uma jornada que estimula a reavaliação de comportamentos e a busca por uma relação mais profunda com o mundo natural.
Ao articular fábulas por meio de sua prática plástica, Denise Milan propõe uma alteração nos padrões de conduta humana, destacando a importância de conexão, cooperação e cura — temas que, segundo o texto curatorial, ganham relevo diante de um contexto social marcado por polarização e rivalidade.
Fonte: Uberlandianofoco


