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sexta-feira, setembro 25, 2026

Descoberta de petróleo na costa do Amapá divide moradores de Oiapoque entre expectativa econômica e temor ambiental

Descoberta e reação local

A presença de petróleo na costa do Amapá tem provocado divisão entre os residentes de Oiapoque, cidade na fronteira com a Guiana Francesa. A Petrobras iniciou a exploração offshore na área há cerca de um ano e, em agosto, anunciou a identificação de hidrocarbonetos em seu primeiro poço, localizado a 175 km da costa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o local após o anúncio e classificou o petróleo da região como “passaporte para o futuro”.

Oiapoque fica a cerca de 600 km de Macapá e o acesso à cidade envolve trechos de estrada de terra e pontes de madeira. A expectativa sobre possíveis benefícios econômicos convive com receios de danos ao meio ambiente e às atividades tradicionais.

Preocupações de indígenas e pescadores

O cacique Wagner Karipuna, de 57 anos, da aldeia Mangá — a cerca de 20 km do centro de Oiapoque, às margens do rio Curipi — afirma temer que um eventual vazamento atinja os rios da região. “Se ocorrer um vazamento, então com certeza isso vai afetar. A água não tem fronteira”, diz o líder indígena. Ele reclama ainda de impactos já percebidos, como o ruído diário de helicópteros e aeronaves, que, segundo ele, afasta aves e outros animais.

Para os pescadores, a inquietação é semelhante. Joelso Mendonça, vice-presidente da colônia de pescadores Z03, que reúne cerca de 400 integrantes, teme que um vazamento comprometa a atividade: “Se houver vazamento, ninguém vai querer comprar um pescado de uma área afetada por petróleo”.

Posições da Petrobras e de ex-direção

A Petrobras informa que estudos realizados indicam que não há probabilidade de o petróleo chegar à costa. A estatal afirma também manter diálogo com comunidades indígenas e ter feito ajustes no tráfego aéreo após conversas com lideranças locais. Jean Paul Prates, que presidiu a Petrobras entre 2023 e 2024, afirmou que não existe exploração offshore com risco zero: segundo ele, a probabilidade de vazamento é baixa, mas as consequências podem ser graves.

Expectativas econômicas e prazo para produção

Enquanto parte da população manifesta preocupação, outros moradores enxergam oportunidades. A pastora Jacqueline Cadete, de 45 anos, mudou-se para um dos novos bairros de Oiapoque no fim de 2025, retornando ao Brasil após anos fora, atraída pelas possibilidades que a exploração pode trazer.

Um estudo do Observatório Nacional da Indústria estima que mais de 50 mil empregos poderiam ser gerados no Amapá caso a exploração avance. A produção comercial também deve gerar royalties para governos locais, se iniciada. No entanto, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou em agosto que a produção não deve começar nos próximos seis ou sete anos.

Efeitos imediatos na cidade

O prefeito de Oiapoque, Inácio Monteiro Maciel, disse ser otimista quanto ao futuro, mas reconheceu a necessidade de investimentos em infraestrutura e políticas sociais: “Precisamos começar quase tudo do zero”. O município tinha cerca de 28 mil habitantes no Censo 2022 do IBGE, e mais da metade da população recebia o Bolsa Família naquele ano. A prefeitura, contudo, estima que a cidade recebeu um aumento populacional desde o início das atividades da Petrobras, e hoje teria entre 40 mil e 45 mil moradores.

O crescimento da demanda por imóveis gerou especulação imobiliária, segundo o prefeito, e levou famílias a deixarem áreas centrais em busca de moradia na periferia. No bairro Nova Conquista, Thais Pereira de Souza, de 32 anos, vive com o marido, dois filhos e a nora grávida em uma casa simples, sem água encanada nem eletricidade, dividindo colchões e redes para reduzir custos. Ela afirma esperar que a exploração de petróleo melhore sua qualidade de vida.

A presidente da Associação Comercial e Industrial de Oiapoque (Acoi), Lilma Campos, prevê mudanças na cidade, mas alerta que é cedo para avaliar a dimensão do impacto: “Estão dando uma especulação para o povo que diz que isso vai explodir, que vai ser a segunda Dubai. A gente não sabe se isso realmente é verdade”, disse.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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